
Por Ademar Rafael Ferreira (Papa)
Ade Maleu Lapa-el – Nesta data nos visita o gaúcho Mário Quintana.
Papa – Mario de Miranda Quintana (Mário Quintana), nasceu em Alegrete (RS), em 30 de julho de 1906 e partiu para outra dimensão em 05 de maio de 1994 na cidade de Porto Alegre (RS). Poeta, tradutor e jornalista visto por muitos como uma das referências do modernismo do Brasil em sua segunda fase. Sua obra tem duas grandes características a linguagem simples e a abordagem de cenas e temas do cotidiano. Sua produção poética tem a leveza dos ventos brandos com mensagens contundentes como tempestades. Transcrevemos o seu famoso “O Poeminha do Contra”, “Deixa-me seguir para o Mar” e “O Espelho’.
“Todos esses que aí estão
Atravancando meu caminho,
Eles passarão…
Eu passarinho!”
Tenta esquecer-me… Ser lembrado é como
evocar-se um fantasma… Deixa-me ser
o que sou, o que sempre fui, um rio que vai fluindo…
Em vão, em minhas margens cantarão as horas,
me recamarei de estrelas como um manto real,
me bordarei de nuvens e de asas,
às vezes virão em mim as crianças banhar-se…
Um espelho não guarda as coisas refletidas!
E o meu destino é seguir… é seguir para o Mar, as imagens perdendo no caminho…
Deixa-me fluir, passar, cantar…
toda a tristeza dos rios é não poderem parar!
Por acaso, surpreendo-me no espelho:
Quem é esse que me olha e é tão mais velho que eu? (…)
Parece meu velho pai – que já morreu! (…)
Nosso olhar duro interroga:
“O que fizeste de mim?” Eu pai? Tu é que me invadiste.
Lentamente, ruga a ruga… Que importa!
Eu sou ainda aquele mesmo menino teimoso de sempre
E os teus planos enfim lá se foram por terra,
Mas sei que vi, um dia – a longa, a inútil guerra!
Vi sorrir nesses cansados olhos um orgulho triste…”.



