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O Globo
Em meio a uma disputa embaralhada e que está longe de ser prioridade do Palácio do Planalto, interlocutores e estrategistas das candidatas às duas vagas em aberto no Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiram procurar uma personagem que acreditam poder influenciar o presidente Lula a destravar a escolha: a socióloga e primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja.
As mulheres escolhidas para as duas listas tríplices encaminhadas para o Palácio do Planalto consideram que Janja seria fundamental para fazer com que Lula decida em favor de uma delas porque as vagas em disputa também foram abertas com as aposentadorias de mulheres: Laurita Vaz (oriunda do Ministério Público) e Assusete Magalhães (reservada à Justiça Federal).
Há duas desembargadoras concorrendo à vaga da Justiça Federal e uma procuradora de Justiça para a do MP, o que equilibrou a contenda entre três homens e três mulheres.
As escolhas são resultado de uma estratégia capitaneada pelo presidente do STJ, Herman Benjamin, e pela ala feminina do tribunal para não diminuir representatividade de magistradas no tribunal, formado atualmente por apenas cinco mulheres – Maria Thereza de Assis Moura, Regina Helena, Nancy Andrighi, Daniela Teixeira e Isabel Gallotti.
Dadas as atitudes recentes de Janja, aliados das candidatas a ministro acreditam que ela pode decidir entrar em campo, caso se empolgue com alguma das postulantes.
“Ela nunca escondeu de ninguém que gostaria que o presidente Lula nomeasse mais mulheres”, diz um interlocutor da primeira-dama. Janja já se meteu em outras disputas, como a escolha da desembargadora Gabriela Araújo, sua amiga, para o Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3), sediado em São Paulo.
Em agosto deste ano, a primeira-dama quebrou o protocolo e ela mesmo empossou Araújo em solenidade no tribunal. “Certamente a opinião da Janja será considerada, assim como a dos ministros”, afirma um integrante do primeiro escalão do governo.
Até aqui, Janja não se envolveu em outras disputas mais relevantes, como as de outras vagas do STJ e do Supremo Tribunal Federal (STF).
Apesar do empenho das equipes das candidatas, no governo há quem duvide se a primeira-dama vai se engajar numa disputa tão acirrada, e já marcada por guerra de dossiês nos bastidores para destruir a reputação de candidatos.
“Ela não vai se meter nessa briga. A menos que seja uma questão de amizade, como foi no caso da Gabriela no TRF-3, para que arrumar confusão?”, questiona o interlocutor de Janja.
Lula costuma ouvir a opinião de auxiliares ligados ao Judiciário antes de bater o martelo de cada indicação. Os ministros Jorge Messias (Advocacia-Geral da União), Ricardo Lewandowski (Justiça), Alexandre Padilha (Secretaria de Relações Institucionais), Rui Costa (Casa Civil), além do secretário para assuntos jurídicos da Casa Civil, Marcos Rogério, costumam participar do processo de escolha, em maior ou menor grau.
Segundo um integrante do primeiro escalão do governo ouvido pelo blog, a disputa pelo STJ está tão embaralhada que corre o risco de Lula deixar a escolha para o ano que vem.



