Abertura das propostas da Transnordestina é adiada e volta a atrasar reativação das obras em Pernambuco

A sessão de abertura das propostas da licitação que deveria destravar a retomada das obras da Ferrovia Transnordestina em Pernambuco, marcada para esta quinta-feira (08), foi oficialmente adiada. A Infra S.A., responsável pelo processo, publicou no Diário Oficial da União que o dia 3 de março é a nova data. Não houve explicação detalhada para a postergação, apenas a comunicação da alteração do cronograma.

O adiamento impacta o reinício da ferrovia em Pernambuco, que está paralisada há dez anos. Com a mudança de data, também se torna improvável a previsão inicial do Ministério dos Transportes, Renan Filho, de retomar o trecho no Estado ainda no primeiro trimestre de 2026.

Trecho inicial da retomada

O edital em vigor prevê a implantação de 73 km de infraestrutura ferroviária entre Custódia e Arcoverde, trecho que está com cerca de 37% de execução. Os serviços contratados incluem terraplenagem, adequação do leito ferroviário, estruturas básicas e preparação da base para futura colocação dos trilhos.

O valor máximo estimado para o contrato é de R$ 415 milhões, financiados pela União por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A Infra S.A. classifica o lote como Salgueiro/Porto de Suape (SPS) 4, que também engloba intervenções nos municípios de Sertânia e Buíque, além dos dois principais pontos do trecho.

Trecho Salgueiro/Suape

O projeto da Transnordestina em Pernambuco prevê 544 km de extensão entre Salgueiro e o Porto de Suape. As obras começaram em 2006 e atingiram cerca de 33% de execução, com 179 km concluídos. Desde então, sucessivas interrupções e reprogramações fragmentaram a construção, deixando trechos isolados e sem utilidade operacional.

O cenário se agravou no fim de 2022. No último mês do governo Jair Bolsonaro, houve um aditamento contratual com a CSN, concessionária responsável pela ferrovia, que retirou formalmente o trecho de Pernambuco do projeto original. A decisão desobrigava a empresa de concluir o segmento Salgueiro/Suape, concentrando seus esforços apenas nos eixos em direção ao Ceará e o Piauí.

Quando o governo Lula assumiu, em janeiro de 2023, o trecho pernambucano foi reincluído no planejamento federal, mas fora da gestão da CSN, passando a ser tratado separadamente. Coube à União reorganizar o modelo de execução, incluí-lo no PAC e estruturar a nova licitação que agora se encontra adiada.

A ferrovia é considerada essencial para melhorar a competitividade logística da região, atendendo setores como o polo gesseiro do Araripe, a avicultura, a produção de confecções e a fabricação de baterias. Quando concluída, permitirá ampliar o escoamento da produção regional para Suape e integrar Pernambuco a rotas ferroviárias mais eficientes.

Adiamento cria novo atraso

A abertura das propostas marcada para esta quinta-feira (08) permitiria encaminhar as próximas etapas da licitação, análise técnica, julgamento e homologação. Com a transferência para março, todo o cronograma se desloca e torna mais distante a retomada efetiva das obras ao longo de 2026.

Segundo comunicado oficial, a postergação está relacionada a ajustes de exigências no edital. Até que a sessão de abertura ocorra, nada pode avançar sem análise de documentação, sem julgamento e sem contratação da empresa responsável pelo trecho. Dependendo da complexidade, esse processo pode levar meses após o dia 3 de março.