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O Globo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reduziu progressivamente ao longo de seu terceiro mandato as audiências com deputados federais e senadores no Palácio do Planalto. Neste ano, em comparação com 2023, houve uma queda de 89% nas agendas oficiais do petista com o Congresso. Isso significa que as reuniões com parlamentares representam somente 2% de todos os compromissos divulgados por Lula entre janeiro de 2023 e agosto de 2026.
O levantamento, feito pela equipe da coluna com apoio de especialistas em análise de dados públicos, confirma uma reclamação constante de aliados nesta campanha à reeleição: o de que o presidente da República se isolou do meio político e da base do governo neste mandato, perdendo a conexão com as demandas da população.
A análise reuniu os 5.316 compromissos publicados pela Presidência na agenda oficial de Lula entre 1º de janeiro de 2023 e 13 de agosto de 2026. Os dados, coletados de forma automatizada, foram cruzados com o e-Agendas, sistema da Controladoria-Geral da União (CGU) com mais de 1,2 milhão de registros de compromissos de autoridades federais. Não incluem, portanto, encontros sem registros públicos.
No primeiro ano do atual governo, foram realizadas 64 audiências com deputados e senadores. Já em 2026, até o dia 13 de agosto, foram quatro encontros desse tipo. Ou seja, a cada 100 dias, são 2,5 audiências com parlamentares, contra 23 em 2023, 9,7 em 2024 e 5,1 em 2025.
A comparação por 100 dias de agenda corrige o efeito do calendário, já que, sem ela, 2026 pareceria um ano de menos atividade apenas por ter menos dias no período analisado. Ao todo, em números absolutos, as reuniões com parlamentares representam 109 das 2.721 audiências feitas por Lula desde 1º de janeiro de 2023.
Do total, outras 1.622 audiências (59,6%) são com o próprio governo federal. Na prática, seis em cada dez reuniões do presidente são com a própria equipe, ministros, secretários e dirigentes do Executivo, o que é comum pela rotina de despachos do cargo. Em seguida vem os encontros com chefes de Estado, com 472 audiências (17,3%).
Das 109 audiências com o Legislativo, 38 tiveram na sala um líder do governo no Congresso, os senadores Jaques Wagner (PT-BA) e Randolfe Rodrigues (PT-AP) e os deputados federais José Guimarães (PT-CE), atual ministro da Secretaria de Relações Institucionais, e Paulo Pimenta (PT-RS). Em 2026, nenhum deputado ou senador sem tal função de comando foi recebido.
Presenças recorrentes
A pessoa que mais aparece nominalmente na lista dos 5.316 compromissos publicados pela Presidência é o ex-ministro da Casa Civil Rui Costa (PT), senador eleito pela Bahia, com 127 participações. Costa deixou o governo em abril deste ano para concorrer às eleições do último domingo.
O pódio é completado pelo ex-ministro da Economia Fernando Haddad (PT), derrotado no primeiro turno na corrida pelo governo de São Paulo, com 86 presenças; e pelos ministros Jorge Messias e Esther Dweck, da Advocacia-Geral da União (AGU) e da Gestão e Inovação, respectivamente, com 39 aparições cada um.
Em relação às audiências, os 38 ministérios foram recebidos pelo presidente entre 2023 e 2026, mas com diferença no número de agendas. Enquanto a Casa Civil soma 540 audiências, por exemplo, o Ministério da Pesca e Aquicultura tem somente quatro.
O último parlamentar recebido em audiências por Lula no período analisado foi o presidente do Senado Federal, o senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), no dia 12 de agosto. Ao todo, ele foi recebido no Planalto seis vezes, o dobro do presidente da Câmara dos Deputados, deputado federal Hugo Motta (Republicanos-PB). O ex-presidente da Casa Arthur Lira (PP-AL) foi recebido 12 vezes entre janeiro de 2023 e dezembro de 2024.
Lula retomou os diálogos com Alcolumbre no mês passado, após meses de distanciamento devido à rejeição da indicação do ministro Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) por parte do Senado. O presidente da Casa é apontado nos bastidores como o principal articulador da derrota do governo, já que apoiava a nomeação de Rodrigo Pacheco (PSB-MG), hoje ministro do Tribunal de Contas da União (TCU).
Com a reaproximação, Alcolumbre deu encaminhamento a pautas prioritárias do governo, como a PEC da Segurança, a pauta da escala 6×1 e o fim da “taxa das blusinhas”, que estavam paradas há meses em sua mesa.
Lula e Alcolumbre se reuniram com Motta no dia 26 de julho. Os três selaram uma parceria em busca de garantir a aprovação das propostas de interesse do Palácio do Planalto às vésperas das eleições. Duas semanas antes, o presidente da Câmara havia anunciado o apoio à reeleição do petista.



