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Apesar de ter feito um gesto à Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) com o repasse de emendas parlamentares e a criação de uma nova plataforma para facilitar a execução dos recursos, a governadora Raquel Lyra (PSD) sofreu um revés logo no retorno dos trabalhos legislativos.
Aliados da governadora afirmam que a oposição tenta criar motivos para prejudicar a imagem da governadora e que a situação manterá as dificuldades na tramitação de projetos importantes para Pernambuco.
No primeiro dia de sessões, foi aprovada a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar possíveis irregularidades em contratos de publicidade da gestão estadual.
Com os membros da comissão ainda a serem indicados pelos partidos, o governo tenta agora reorganizar suas articulações para evitar que a investigação se transforme em um desgaste político contínuo. Uma decisão do Tribunal de Justiça de Pernambuco garantiu a retomada dos contratos na semana passada.
“O Parecer Técnico da DEX não mencionou prejuízo financeiro com a continuidade do contrato. Constata-se assim, neste juízo sumário de cognição, a ausência de fundado receio de grave lesão ao erário, requisito necessário para a decretação da medida cautelar”, afirmou o desembargador Fernando Cerqueira Norberto dos Santos, do TJPE, como justificativa para permitir a atuação das agências contratadas pelo governo.
CPI mira contrato de publicidade do governo Raquel
A CPI foi proposta pela deputada Dani Portela (PSol) e conta com o apoio de 18 parlamentares, incluindo o presidente da Casa, Álvaro Porto (PSDB), um dos principais críticos da governadora.
O contrato em questão prevê gastos de até R$ 120 milhões por ano, durante dez anos, totalizando R$ 1,2 bilhão. O Tribunal de Contas do Estado (TCE) chegou a suspender a execução por meio de medida cautelar, mas a decisão foi derrubada por liminar do Tribunal de Justiça.
O governo afirma que “todo o processo licitatório foi conduzido de acordo com a legislação vigente” e que segue a jurisprudência do Tribunal de Contas da União. “O contrato firmado tem vigência inicial de 12 meses e pode ser renovado por até 10 anos, conforme previsto na Lei 14.133/2021”, disse a gestão em nota.
A oposição, no entanto, levanta suspeitas sobre aditivos ilegais, favorecimento e conflito de interesses. A deputada Dani Portela alega ainda a possível utilização de recursos para ataques institucionais e questiona o fato de a sede da empresa E3 Comunicação, uma das vencedoras da licitação, supostamente funcionar em imóvel de parente da governadora.
Raquel Lyra teve encontro com o PP para fortalecer base governista pouco antes de anúncio de CPI
Poucas horas antes desse procedimento, Raquel Lyra recebeu no Palácio do Campo das Princesas a bancada do Progressistas, maior grupo partidário da Alepe.
O encontro, articulado com o deputado federal Eduardo da Fonte, contou com a presença de 10 deputados estaduais e da deputada federal Clarissa Tércio.
Em nota, o PP declarou que o objetivo foi “reforçar o alinhamento político no estado”. Eduardo da Fonte afirmou que “a governadora tem feito um trabalho importante de reestruturação do estado” e que o partido seguirá ao lado dela. Estiveram na reunião nomes como Antônio Moraes, Adalto Santos, Claudiano Martins, Romero Sales, Júnior Tércio, entre outros.
Base do governo reage e critica CPI
Aliados da governadora argumentam que a CPI é uma tentativa da oposição de criar um ambiente desfavorável antes do ano eleitoral de 2026.
Para o Jamildo.com, o deputado estadual Antônio Moraes (PP) afirmou que a atitude da oposição seria natural, como forma da oposição criar motivos para tentar prejudicar a imagem da governadora.
“Quem conhece Raquel sabe da maneira correta de agir e do cuidado que ela tem com a coisa pública […] Não temos nenhum receio, embora a gente lamente porque, quando a gente esperava que a Casa desse agora uma sinalização que a gente teria um ano ou pelo menos seis meses de paz para que a gente pudesse trabalhar e fazer aquilo que a população espera… [acontece isso]. Estamos vivendo um momento muito difícil”, afirmou.
Clima de tensão e impasses na Alepe
A tensão entre Executivo e Legislativo já vinha se intensificando desde o primeiro semestre, agravada após a saída de Raquel do PSDB.
Com impasse no pagamento das emendas e a eleição das principais comissões da Alepe indo para oposição, projetos do governo passaram a ter tramitação travada, incluindo pedidos de empréstimos superiores a R$ 3 bilhões e sabatinas.
Durante o recesso, a governadora intensificou os apelos públicos e voltou a pressionar os deputados. Apesar das ações, a instalação da CPI sinaliza que a base governista ainda enfrenta dificuldades de articulação, especialmente diante do cenário pré-eleitoral.
O governo tenta agora evitar que o processo investigativo ganhe força política e comprometa a capacidade de negociação dentro da Casa, principalmente com o envio da Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2026. Como os nomes da comissão ainda serão definidos, o Executivo aposta em composições que limitem o desgaste institucional.
Mesmo que movimentado por outros atores políticos, os protagonistas dessa tensão entre Governo e Alepe são Raquel Lyra e Álvaro Porto. Para auxiliar no processo de entendimento, o Jamildo.com preparou uma linha do tempo interativa com as tensões entre os políticos desde o começo da gestão da ex-tucana.



