Ao criticar Raquel Lyra, João Campos esbarra em levantamento que apontou 83% dos casos sem inquérito concluído na gestão do PSB

Do Paulista Notícias

Um vídeo divulgado na última terça-feira (30), pelo pré-candidato ao Governo de Pernambuco, João Campos (PSB), criticando a política de enfrentamento ao feminicídio e à violência contra a mulher, reacendeu o debate sobre a segurança pública no estado. No entanto, a cobrança também levanta questionamentos sobre o histórico das gestões do próprio PSB na área.

Um dos dados mais emblemáticos foi divulgado pelo Monitor da Violência, do G1, em março de 2018. Na época, a reportagem revelou que cinco dos seis assassinatos de mulheres acompanhadas no Grande Recife permaneciam sem inquérito concluído mais de seis meses após os crimes. O índice correspondia a 83% dos casos monitorados.

Naquele período, Pernambuco era governado por Paulo Câmara, do PSB. João Campos integrava o núcleo político do partido e havia exercido o cargo de Chefe de Gabinete do então governador antes de assumir um mandato eletivo.

Os números divulgados na época mostravam que a dificuldade na investigação dos feminicídios e da violência contra a mulher já era uma realidade durante as administrações socialistas. Por isso, críticos da postura de João Campos afirmam que suas cobranças atuais desconsideram problemas que também existiram quando o PSB comandava o Governo de Pernambuco.

O levantamento do G1 mostrou que apenas um dos seis casos acompanhados havia tido o inquérito concluído. Os demais permaneciam sem conclusão, evidenciando a lentidão das investigações naquele momento.

Ao cobrar mudanças na política de segurança pública e de proteção às mulheres, João Campos coloca um tema importante no centro do debate. Ao mesmo tempo, o histórico da gestão do PSB também passa a fazer parte dessa discussão, já que indicadores semelhantes já eram motivo de críticas durante o período em que o partido governava Pernambuco.