
Por Raphael Guerra/JC
O Batalhão Especializado de Policiamento do Interior (Bepi) e o Batalhão de Operações Especiais (Bope) lideram em número de ocorrências com mortes em Pernambuco. Entre 2022 e junho de 2026, foram contabilizados 35 casos envolvendo policiais do Bepi. No mesmo período, 20 tiveram a participação de policiais do Bope.
Os dados fazem parte do Painel de Intervenção Policial, criado pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE) para ampliar a transparência sobre as ações policiais e monitorar a atuação do Estado diante da letalidade em Pernambuco.
“Há informações de onde há mais ocorrências, o sexo das vítimas, faixa etária e cor. Esses números mostram a realidade sobre a letalidade policial à sociedade”, pontuou o promotor Francisco Ortêncio de Carvalho, coordenador do Centro de Apoio Operacional de Defesa Social e Controle Externo da Atividade Policial do MPPE.
Entre 2022 e junho de 2026, de acordo com o painel, 337 ocorrências policiais com mortes foram mapeadas. Desse total, 205 casos foram arquivados e 35 resultaram em denúncias à Justiça. Outras seguem em apuração.
O painel também indicou que 427 pessoas foram mortas no período analisado. Desse total, 397 eram pretas ou pardas. E 95,1% eram do sexo masculino.
“Nossa intenção é reduzir a letalidade policial no Estado, por isso estamos sempre revisando protocolos de atuação da polícia e nos reunindo com comandantes da PM e diretores regionais. Também criamos núcleos regionais, em Caruaru e Petrolina, para apurar os casos em que há mortes em ações policiais. Antes nossa equipe estava concentrada na capital”, disse o promotor.
Batalhões mais letais
O Bepi, que lidera em número de mortes nas ocorrências, é responsável pelo policiamento tático especializado no interior de Pernambuco. Já o Bope atua prioritariamente na Região Metropolitana do Recife, podendo ser acionado para o interior em situações mais extremas.
“O Bepi é, de fato, um batalhão que temos observado com mais atenção. A Polícia Militar argumenta que a unidade enfrenta muitos confrontos, ocorrências de maior intensidade. Mapeamos 17 ocorrências que entendemos que os protocolos precisam ser revisados”, afirmou o promotor.
Questionada, a Polícia Militar justificou que esses batalhões são acionados para ocorrências de altíssima complexidade, “como enfrentamento a criminosos entrincheirados ou fortemente armados, gerenciamento de crises, tomada de reféns e cumprimento de mandados de alto risco”.
Segundo a PM, 83 mortes por intervenção policial foram registradas no Estado em 2025, das quais quatro envolveram o Bope e 18 envolveram o Bepi. Já em 2026, até setembro, 69 óbitos foram contabilizados, sendo nove ocorrências com participação de policiais do Bepi e nenhuma com o Bope.
Uma das ações recentes de maior repercussão no Estado, com resultado morte, envolveu policiais do Bope.
De acordo com a denúncia do MPPE, militares que deveriam se dirigir para a sede do 11º Batalhão, no bairro de Apipucos, na Zona Norte do Recife, mudaram a rota em três viaturas após receberem a informação de que suspeitos de tráfico de drogas estariam na comunidade do Detran na noite de 20 de novembro de 2023.
Uma câmera filmou o momento em que os PMs invadiram a residência e, pouco depois, mulheres e crianças deixaram o imóvel. Os tiros foram disparados contra Bruno Henrique Vicente da Silva, de 28 anos, e Rhaldney Fernandes da Silva Caluete, de 32.



