Carbono Oculto: Operação mira novo esquema do PCC no setor de combustíveis

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) deflagrou na manhã desta quinta-feira (28) a segunda fase da Operação Carbono Oculto, chamada de “Operação Fluxo Oculto”, contra um novo esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de combustíveis, que também envolve fintechs.

Estão sendo cumpridos 59 mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná. A ação conta com a participação da Receita Federal, Agência Nacional de Petróleo (ANP), Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, Procuradoria-Geral do Estado, Polícia Militar e Polícia Civil.

Investigações

Segundo o órgão, o objetivo da nova operação é avançar no combate aos esquemas de fraudes, sonegação e lavagem de dinheiro no setor. Os focos principais nesta manhã (28) são mais seis fintechs descobertas e a adulteração de combustível com uso de nafta (solvente).

As investigações apontam que as novas empresas atuavam como bancos paralelos do PCC.

Elas faziam parte de um poderoso núcleo financeiro, sendo utilizadas para compensações financeiras internas entre diversas distribuidoras e postos de combustíveis, entre empresas e fundos de investimentos administrados pela organização criminosa, pagamentos de colaboradores e pagamentos de gastos e investimentos pessoais dos principais operadores.

O MP indicou ainda que há um núcleo envolvido com o desvio de nafta petroquímico para terminais e postos de combustível. O trabalho, realizado em conjunto com a Agência Nacional do Petróleo revelou uma robusta estrutura de falsidades, com simulada venda de solventes para empresas-fantasma.

Segundo a denúncia, existia uma estrutura criada para a abertura serial de empresas nos mais diversos estados do Brasil. As apurações mostram que os denunciados usavam parentes, pessoas em situação de vulnerabilidade social e até presos para constituir pessoas jurídicas que supostamente adquiriam solventes. Na prática, eles eram desviados para a Grande São Paulo.

No núcleo identificado, a investigação do Gaeco com a Receita Federal constatou que são usados os mesmos mecanismos de ocultação patrimonial do outro esquema. Além das instituições de pagamento, a movimentação financeira envolvia fundos de investimento para dissimulação dos reais beneficiários dos negócios do PCC.

Fundos do esquema

Foram identificados quatro fundos que participavam do esquema e são alvos da operação, junto com duas administradoras de recursos e duas gestoras.

Os quatro fundos investigados no esquema de desvio de nafta possuem, atualmente, patrimônio estimado em aproximadamente R$ 205 milhões. Em pouco mais de um ano, o patrimônio aumentou em mais de 200%.

De acordo com o MP, eram usadas as estruturas do mesmo “balcão financeiro marginal”, compartilhando canais de escoamento e técnicas de lavagem, por vezes fundos/fintechs, alguns dos quais já indicados na primeira fase da Carbono Oculto e que, agora, aparecem evidenciados novamente, especialmente na frente da nafta.

Empresas alvos:

  • Ceopag Instituição de Pagamento, Ceopar, Fundopay S.A. e XBR Participações
  • America Payment S.A
  • Sispay Instituição de Pagamento, Vpay Instituição de Pagamento e May Servex Negócios Imobiliários
  • Smart Solutions Instituição de Pagamento e Smart Safe Locação e Processamento de Dados
  • YAW Instituição de Pagamento S.A
  • Ello Gestora de Recursos Ltda

PF e CGU realizam nova fase de operação contra fraudes no INSS

A nova fase da operação Sem Desconto, que apura fraudes bilionárias no INSS, mira nesta quarta-feira (27), associações responsáveis por descontos em contracheques de aposentados e pensionistas.

Em São Paulo, há mandados contra Amar, Master Prev, AASP e ANDAPP.

Segundo o inquérito, o grupo investigado atuava “de forma estruturada e em diferentes frentes”. Na captação fraudulenta, utilizava empresa para operacionalizar sistemas de adesão de novos “associados” e obter dados de aposentados por meio de contatos em instituições bancárias. Na falsificação ideológica, produzia tokens falsos e empregava biometria fraudulenta para simular assinaturas em fichas de filiação e validar descontos perante o INSS.

Além disso, diz a PF, o grupo buscava blindar e expandir o esquema, prestando suposta “assessoria” a outras entidades interessadas em replicar o modelo criminoso e mantendo contatos estratégicos para dificultar ou neutralizar fiscalizações. Também promovia a ocultação e dissimulação dos valores ilícitos por meio de empresas de fachada, além da aquisição de bens de alto valor.

“Em síntese, o grupo gerenciava um esquema de descontos ilegais em massa, manipulava sistemas de dados para burlar exigências biométricas do INSS, apresentava documentação falsa em auditorias e atuava para dificultar fiscalizações da CGU”, aponta a investigação. Paralelamente, as empresas realizavam movimentações financeiras complexas entre empresas vinculadas à organização, com o objetivo de ocultar a origem criminosa dos recursos

PF desmonta novo esquema de fraudes no INSS

Sede do INSS, em Brasília

A Polícia Federal deflagrou, nesta quarta-feira (20), a Operação Persona Nula, com o objetivo de investigar fraudes no INSS no Pará.

O esquema forjava certidões de nascimento e outros documentos de identificação de pessoas fictícias que eram, posteriormente, inseridas na plataforma de benefícios do BPC.

Durante ação, foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão em Belém, Ananindeua e Barcarena. Até o momento, foram identificados 22 benefícios concedidos de forma fraudulenta.

Na operação, foram apreendidos materiais que serão submetidos à perícia, com o objetivo de aprofundar as investigações e de identificar outros possíveis envolvidos no esquema criminoso.

Fraude milionária envolveu mais de 30 empresas e até beneficiários do Bolsa Família, em Pernambuco

Fraude milionária envolveu mais de 30 empresas e até beneficiários do Bolsa Família, em Pernambuco

Uma operação deflagrada pela Polícia Civil de Pernambuco (PCPE) na última quarta-feira (06) revelou um esquema milionário de sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e uso de empresas de fachada. Segundo as investigações, os envolvidos movimentaram mais de R$ 130 milhões em fraudes tributárias, ao longo de aproximadamente dez anos.

Ao todo, foram cumpridos 18 mandados de busca e apreensão, além de bloqueios de ativos financeiros, suspensão de atividades comerciais e medidas cautelares contra investigados. Até o momento, não houve prisões, mas parte dos alvos passou a utilizar tornozeleira eletrônica.

Esquema envolvia “laranjas” que recebiam benefícios sociais

Segundo a investigação, o grupo utilizava dezenas de empresas para ocultar patrimônio, emitir notas fiscais fraudulentas e reduzir ilegalmente o pagamento de impostos ao Estado.

As apurações apontam que muitas dessas empresas existiam apenas formalmente e funcionavam como fachada para movimentações financeiras incompatíveis com a realidade econômica dos envolvidos.

“O grupo criminoso possuía divisão estruturada de tarefas. Havia um núcleo contábil responsável pelo planejamento tributário fraudulento, emissão de notas fiscais e operacionalização das movimentações fiscais fictícias”, afirmou o delegado Breno Varejão.

Ainda de acordo com o delegado, o esquema também utilizava pessoas em situação de vulnerabilidade social como “laranjas”.

“Foram identificadas algumas pessoas que recebiam programas sociais, como Bolsa Família, enquanto apareciam como titulares de empresas de grande porte”, explicou.

As investigações apontam que essas pessoas cediam nomes e CPFs em troca de compensações financeiras para facilitar a abertura das empresas fraudulentas.

Contadores envolvidos

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Polícia investiga esquema criminoso de R$ 500 milhões em dois estados

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A Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco) deflagrou, na manhã desta terça-feira (05), a Operação Consorte, que mira uma organização criminosa com atuação em diferentes estados do país.

A ação ocorre simultaneamente em municípios do Ceará e em Belo Horizonte (MG), com a participação de 108 policiais federais e civis, distribuídos em 27 equipes.

Ao todo, estão sendo cumpridos 27 mandados de busca e apreensão e seis mandados de prisão, expedidos pela 93ª Zona Eleitoral.

Segundo as investigações, o grupo movimentou mais de R$ 500 milhões por meio de um esquema financeiro, com indícios de uso de mecanismos sofisticados para ocultar e dissimular recursos ilegais.

Nesta fase, o foco da operação é atingir justamente o nu financeira da organização, com apuração de crimes como lavagem de dinheiro e outros delitos correlatos.

A Operação Consorte é um desdobramento da Operação Traditori, realizada anteriormente e que resultou na prisão de agentes políticos ligados ao esquema investigado.

Agora, a nova fase busca aprofundar a identificação de fluxos financeiros e desarticular a base econômica do grupo.

Influencer inscrita em programas sociais é presa após movimentar R$ 144 milhões com ‘tigrinho’

Influenciadora Adrielly Viviany Araújo é presa por suspeita de lavagem de dinheiro com 'jogo do Tigrinho'

A Polícia Civil de Roraima prendeu preventivamente a influenciadora digital Adrielly Viviany Araújo de Jesus, de 29 anos, na última segunda-feira (27), por suspeita de ser a organizadora de um esquema milionário envolvendo o “jogo do tigrinho” que a teria feito movimentar 144 milhões de reais entre 2023 e 2024, mesmo ela estando inscrita em programas sociais do governo federal.

Além dela, que possui 149 mil seguidores no Instagram, outras sete pessoas (sendo seis influenciadores) também foram detidas preventivamente por suspeita de envolvimento. Segundo a polícia, o grupo movimentou aproximadamente 260 milhões de reais em dois anos, valor considerado incompatível com a renda declarada pelos investigados.

Entre os alvos com mandados de prisão preventiva estão também:

  • marido de Adrielly, Dione dos Santos Silva, de 37 anos;
  • influenciadora Amanda Lourenço, 28 anos;
  • influenciador de Goiás Gildásio Cardoso, 25 anos — de 29 mil seguidores;
  • influenciadora Laís Ramos Gomes da Silva, 31 anos;
  • influenciador Patrik Adhan, 27 anos — de 619 mil seguidores;
  • comunicadora Raniely Carvalho, 39 anos — de 173 mil seguidores;
  • influenciadora Vitória Reis, 26 anos.

Outros investigados também foram alvos de medidas judiciais, como mandados de busca e apreensão em suas residências:

  • Esteticista Juliana Lima do Nascimento, 23 anos;
  • influenciadora Victoria Paixão, 26 anos — com 10,8 mil seguidores;
  • e o empresário do ramo automobilístico Ruissian Ferreira Braga Ribeiro, 28 anos.

Segundo o delegado Eduardo Patrício, responsável pelas investigações, os investigados utilizavam a visibilidade digital que tinham para divulgar plataformas do chamado “jogo do tigrinho”, atraindo seguidores com promessas enganosas de ganhos fáceis. “As investigações demonstraram que havia uma atuação organizada, com uso estratégico das redes sociais para alcançar um grande número de vítimas. Trata-se de uma prática criminosa com elevado potencial de dano coletivo”, destacou. “Identificamos um crescimento patrimonial expressivo, com aquisição de veículos de luxo, imóveis e bens de alto padrão, o que reforça os indícios de lavagem de dinheiro”, completou.

A operação policial, intitulada Mantus (associado ao mundo subterrâneo e às forças ocultas da mitologia etrusca), foi feita após uma investigação que durou cerca de 18 meses, tendo iniciado em setembro de 2024, e revelou o esquema estruturado, com forte atuação nas redes sociais, para crimes contra o consumidor e lavagem de dinheiro.

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Veleiro com cocaína, ligação com PCC e arquivos na nuvem: conheça o personagem que expôs esquema de R$ 1,6 bi com Ryan

MC Ryan SP, Rodrigo Morgado e MC Poze do Rodo

O Globo

A prisão do cantor MC Ryan SP em uma festa à beira-mar no litoral paulista no dia 15 deste mês foi o capítulo mais recente de uma investigação que começou muito antes, e bem longe dos palcos. Tudo tem origem num aparelho de celular apreendido pela Polícia Federal durante uma ação contra o tráfico marítimo de drogas. O dono do dispositivo era Rodrigo de Paula Morgado, empresário do setor contábil cuja trajetória, reconstruída pelos investigadores, conecta veleiros carregados de cocaína no Atlântico a casas de apostas eletrônicas, cripto ativos e uma constelação de empresas de fachada.

A megaoperação, que resultou na detenção de cantores do funk, influenciadores com milhões de seguidores e produtores de conteúdo, é fruto direto das informações extraídas da nuvem pessoal de Morgado, um acervo digital que as autoridades descrevem como a “caixa-preta” do esquema.

O início dessa teia criminosa remonta a 2023, quando a Marinha dos Estados Unidos interceptou o veleiro Lobo VI em alto-mar, entre o arquipélago de Cabo Verde e as Ilhas Canárias. A bordo estavam mais de quatro toneladas de cocaína, que deram origem à Operação Narco Vela, investigação que mirou uma organização dedicada ao tráfico de entorpecentes para a África e a Europa, valendo-se de satélites, embarcações de alto padrão e rotas marítimas cuidadosamente planejadas.

As apurações identificaram membros do Primeiro Comando da Capital (PCC) entre os envolvidos, entre eles Levi Adriani Felício, o “Mais Velho”, e seu parente Rodrigo Felício, o “Tico”, ambos já presos por crimes ligados ao tráfico naval. Além deles, a investigação traria à tona um personagem até então menos exposto: Rodrigo de Paula Morgado.

Durante a Narco Vela, os agentes apreenderam o celular de Morgado. Ao vasculhar o equipamento, descobriram que ele havia atuado como contador das empresas Saito Construtora Ltda. e Caetano da Silva Construtora EIRELI, ambas identificadas como partícipes na aquisição do veleiro Lobo IV, outra embarcação confiscada com mais de três toneladas de cocaína. A ligação do empresário com o universo do narcotráfico marítimo estava estabelecida.

A Narco Bet e o primeiro ciclo de prisões

Com base nas descobertas iniciais, a Polícia Federal avançou para a Operação Narco Bet, deflagrada em outubro de 2025. O alvo central continuava sendo Morgado, agora descrito pelas autoridades como um possível “operador logístico-financeiro” de um esquema transnacional de lavagem de capitais.

O juiz federal Roberto Lemos dos Santos Filho, ao autorizar o mandado de prisão preventiva contra o empresário, destacou haver provas suficientes, “ao menos em tese”, de seu envolvimento em atos ilícitos antecedentes à lavagem de dinheiro, com clara relação ao tráfico internacional de drogas. O magistrado sublinhou os indícios de “união de esforços” para dissimular a origem criminosa do capital.

As investigações revelaram que Morgado havia aberto dezenas de empresas em parceria com jovens moradores de comunidades de difícil acesso, sem endereço verificável, cuja documentação apresentava suspeitas de fraude. Todas as companhias tinham como sede formal o mesmo endereço de coworking, do qual Morgado era o único sócio. O esquema detectado na Narco Bet movimentou, segundo os investigadores, R$ 313 milhões ao longo de cinco anos, além de operações de cripto ativos que se aproximaram de R$ 100 milhões.

A nuvem que mudou as investigações

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STJ concede liberdade a MC Ryan, Poze do Rodo e dono da Choquei

MC Ryan SP em novembro de 2023

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) concedeu nesta quinta-feira (23), um habeas corpus que, por reflexo, colocará em liberdade o cantor de funk MC Ryan e todos os demais presos da operação Narco Fluxo. A força-tarefa colocou atrás das grades vários influenciadores, como o MC Poze do Rodo e Raphael Sousa Oliveira, dono da página Choquei, suspeitos de lavarem dinheiro para o tráfico de drogas.

A decisão foi dada pelo ministro Messod Azulay Neto, da 5ª Turma do Tribunal, e divulgada pelo advogado Felipe Cassimiro, um dos que atua na defesa de Ryan. Ele impetrou um habeas corpus a favor de Diogo Santos de Almeida, o “Diogo 305”, um influenciador baiano suspeito de fazer parte do esquema de lavagem de dinheiro. O argumento do ministro relator do caso para soltar os investigados foi de que, como a Polícia Federal pediu uma prisão preventiva de apenas cinco dias, os suspeitos devem retornar às ruas e responderem às investigações em liberdade.

“Evidenciada a flagrante ilegalidade da decisão que decretou a prisão temporária pelo prazo de trinta dias, especialmente porque a própria representação da autoridade policial limitou-se ao prazo de cinco dias, assiste razão à defesa, devendo a medida extrema (a prisão dos suspeitos) ser restringida ao período por ela requerido, qual seja, cinco dias”, diz trecho da decisão.

Ao final, o ministro relator estendeu os efeitos do habeas corpus de Diogo aos demais investigados da operação Narco Fluxo. “Estendo os efeitos desta decisão aos corréus que tiveram a prisão temporária decretada no mesmo ato, desde que se encontrem na idêntica situação fático-jurídica, em observância ao princípio da isonomia e à possibilidade de extensão dos efeitos benéficos da ordem de habeas corpus”, argumentou o magistrado.

A decisão proferida pelo STJ precisa ser formalmente comunicada nos processos de origem, onde foi determinada a prisão dos influenciadores, para que eles sejam soltos. Nem precisa perguntar se estar bom ou se quer mais.

PGR resiste a delação apresentada por Camisotti à PF e pede suspensão de acordo ao STF

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Folha de S.Paulo

A Procuradoria-Geral da República (PGR) resiste em dar aval para o acordo de delação firmado entre o empresário Maurício Camisotti, preso na operação das fraudes do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), e a Polícia Federal.

Como principal argumento, os procuradores alegam que a colaboração deveria ter sido iniciada e acompanhada pelo Ministério Público Federal, já que cabe ao órgão apresentar denúncias sobre o caso e avaliar se pede a concessão de perdão judicial do colaborador.

Nesta visão, a PF deveria recomeçar do zero uma nova delação, desta vez, com a participação da Procuradoria desde o início das negociações.

O vice-procurador-Geral da República, Hindemburgo Chateaubriand, chegou a apresentar uma petição ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, no dia 13 de março, requisitando a suspensão do acordo. O ministro, que é o relator do caso, é responsável por homologar a delação.

Chateaubriand criticou a forma como foi feita a colaboração e citou a lei que diz que ela deve ser realizada entre o delegado, o investigado e o defensor, com a manifestação do Ministério Público.

O ministro não chegou a deliberar a petição da PGR. Depois de o acordo ter sido fechado com a PF, há pouco mais de uma semana, Mendonça pediu uma nova manifestação da Procuradoria, que ainda não respondeu.

A insatisfação da PGR chegou até a defesa de Camisotti, que age para conseguir a sua transferência da Superintendência da Polícia Federal em São Paulo para uma prisão domiciliar. A situação teria sido relatada aos advogados como um dos entraves para aceitar o pedido.

A mudança do regime de prisão teria sido requisitada pelo empresário em sua colaboração. Os advogados sustentam que ele corre risco de segurança na prisão, devido ao teor das informações prestadas sobre os delatados.

Apontado pela Polícia Federal como um dos principais operadores do esquema de descontos do INSS, Camisotti negociava o acordo desde o fim do ano passado.

Ele foi um dos alvos da Operação Sem Desconto que deteve Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS.

À época da prisão, em setembro de 2025, a defesa de Camisotti dizia que ele nunca participou de qualquer irregularidade envolvendo o INSS.

Para o acordo de delação ser aceito, ele precisa confessar crimes e apresentar provas da narrativa que apresentar às autoridades, incluindo a indicação de outras figuras importantes envolvidas, como dirigentes e políticos, e material de corroboração, como conversas e documentos.

O escândalo dos descontos indevidos em aposentadorias e pensões, sem autorização dos segurados, ganhou notoriedade em abril do ano passado durante a primeira operação da PF e da Controladoria Geral da União (CGU).

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Cuidado: Apps falsos de emprego são usados para fraudar financiamentos em nome de vítimas

Folha de S.Paulo

Aplicativos falsos de emprego estão sendo usados por criminosos para roubar dados pessoais como Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e CPF e contratar financiamentos em nome das vítimas.

Já são mais de 10 mil casos sobre o tema nos tribunais brasileiros, segundo uma consulta aos diários oficiais das cortes. Os criminosos, também usando dados vazados na internet, podem fraudar contratos com o auxílio de correspondentes bancários que lucram com comissões sobre os empréstimos.

Em um dos casos, no Rio de Janeiro, os estelionatários usaram o CPF de uma moradora do Distrito Federal para financiar uma van usada no transporte irregular da baixada fluminense.

De acordo com a empresa de cibersegurança Tempest, que identificou aplicativos falsos usados em versão mais sofisticada do golpe, a vítima confirma o financiamento sem sequer perceber. A pessoa faz a verificação facial a fim de se candidatar para uma vaga, porém um vírus, na verdade, usa a biometria para validar um empréstimo veicular.

Um dos sites usados no golpe, chamado VagaFácil, pede dados como número da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e CPF para dar andamento à fraude.

Os criminosos usam uma técnica chamada “overlay“, que altera a tela exibida no celular. A vítima vê mensagens genéricas ligadas ao processo de recrutamento, enquanto, na verdade, aceita um contrato de financiamento.

O golpe só é possível porque os criminosos conseguem permissões sensíveis, como acesso à câmera, gravação de áudio, acesso à localização e armazenamento. De acordo com a Tempest, o vírus consegue atuar nos apps bancários de seis instituições financeiras, cujos nomes não foram divulgados.

“Nós compartilhamos as nossas descobertas com os bancos e com as autoridades do poder público”, diz Carlos Cabral, especialista em cibersegurança da Tempest.

Para se prevenir, além de não compartilhar dados pessoais em formulários e aplicativos de origem duvidosa, é possível bloquear a abertura de novos empréstimos na plataforma Registrato, do Banco Central, dizem advogados ouvidos pela reportagem.

Basta acessar a plataforma Registrato e ativar a ferramenta BC Protege+, que bloqueia a abertura de contas e operações de crédito sem autorização via plataforma Gov.br.

Os relatos que correm na Justiça mostram fraudes mais rudimentares do que o caso relatado pela Tempest. Nelas, os criminosos usam dados vazados na internet e contam com a cumplicidade de um correspondente bancário que aceita assinaturas digitais fáceis de falsificar.

Trata-se de um agente credenciado por um banco para oferecer serviços financeiros básicos, como pagamentos, saques e abertura de contas.

Em nota, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) diz que as instituições credenciadas seguem regras rigorosas de identificação e validação de clientes, autenticação reforçada, checagem de documentos e monitoramento de operações, em linha com normas do Banco Central do Brasil e legislação vigente. “Há investimentos contínuos em tecnologia antifraude, análise de comportamento e cooperação setorial para mitigar riscos”.

Foi assim que Sandra, sócia de um ferro-velho em Brasília que pediu para ter seu sobrenome omitido, teve seu CPF usado para o contrato de uma dívida de R$ 274.578,24, de acordo com o seu advogado Rômulo Fiuza e Mello.

Os estelionatários usaram o valor para financiar uma van, que já operava no transporte irregular de passageiros no Rio de Janeiro meses antes do financiamento. Era um veículo Mercedes-Benz, ano e modelo de 2012. O valor à vista do automóvel, R$ 126 mil, subiu para mais de R$ 274 mil com juros e impostos.

A gerente de Sandra, que a informou sobre o débito, enviou também o documento que selou o empréstimo, no qual constavam e-mails e endereços desconhecidos pela vítima. O contrato foi validado com uma assinatura eletrônica feita no Rio de Janeiro, enquanto Sandra estava em Brasília. O documento foi aceito pelo correspondente bancário.

De acordo com Fiuza e Mello, as vulnerabilidades usadas para abrir financiamentos fraudulentos são similares àquelas vistas nas fraudes do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que funcionavam, em parte, a partir da concessão de crédito consignado não solicitado

Descoberto o escândalo previdenciário, com rombo avaliado em cerca de R$ 6 bilhões, o governo passou a cobrar biometria facial com prova de vida para confirmar as transações financeiras.

“Em processos de colegas, ouvimos casos em que os correspondentes bancários ganham cerca de R$ 700 por contrato, há um interesse em lucrar no volume”, diz o advogado.

Fraudes similares também estão no radar das autoridades policiais. A Polícia Civil de São Paulo prendeu 18 pessoas suspeitas de participar da fraude no financiamento de 278 automóveis, avaliados em R$ 22,6 milhões.

De acordo com as autoridades policiais, os criminosos usavam dados furtados e laranjas para obter financiamentos que não eram pagos. Então, negociavam as dívidas por um valor abaixo do cobrado pelos automóveis no mercado e os revendiam.

Segundo a Polícia Civil, os criminosos teriam movimentado R$ 129 milhões durante cinco anos. Além das 18 prisões nos municípios de Catanduva, São José do Rio Preto, Severínia, Paraíso e Pindorama, as autoridades apreenderam 56 veículos, 45 celulares, 198 cartões bancários, um revólver, 300 munições, joias e relógios.

Proteja-se da fraude do financiamento

  • Acesse o Registrato, pelo site do BC, e verifique se houve operações em seu nome;
  • Verifique se seus dados foram na internet; a ferramenta “Have I Been Pwned?” é uma opção;
  • Confira se há permissões para aplicativos desconhecidos nas configurações do smartphone; em celulares Android, as configurações ficam na aba de aplicativos, na janela “acesso especial”, enquanto em iPhones a opção fica na aba Privacidade e Segurança;
  • Caso o crime tenha se consumado, registre boletim de ocorrência e contate a sua instituição financeira;

Como funciona o BC protege+

  • Cidadão acessa a área logada do Meu BC com sua conta gov.br nível prata ou ouro com verificação em duas etapas habilitada;
  • Clica no botão Gerenciar a proteção no card BC Protege+;
  • Ativa a proteção no card Contas – abertura e inclusão;
  • Antes de abrir uma conta ou incluir um titular ou representante em uma conta, a instituição deve consultar opção registrada para o CPF ou CNPJ; se a proteção estiver ativada, ela não poderá fazer a contratação;
  • O cidadão pode ativar e desativar a proteção a qualquer momento, inclusive durante a jornada de contratação;
  • O cidadão também pode ver qual instituição realizou a consulta dos seus dados no sistema;
  • Para empresas, o serviço está disponível para sócios, representantes e colaboradores devidamente cadastrados no módulo de empresas da plataforma gov.br.

Polícia Federal publica calendário para CACs renovarem registro de armas de fogo; confira datas

A Polícia Federal publicou, nesta quinta-feira (09), uma instrução que define novas diretrizes para a renovação do Certificado de Registro de Arma de Fogo (Craf) para Colecionadores, Atiradores Desportivos e Caçadores (CACs). A medida foca especificamente nos certificados concedidos antes de 21 de julho de 2023 e que possuem validade até 20 de julho de 2026.

A principal mudança introduzida pela publicação é a criação de um cronograma escalonado, que distribuirá os pedidos de renovação ao longo de 12 meses, baseado no dia e mês de nascimento do proprietário da arma.

A instrução normativa assegura que os registros permanecerão válidos no Sistema Nacional de Armas (Sinarm) até a nova data limite estabelecida pelo cronograma.

“A medida visa evitar a sobrecarga do Sistema Nacional de Armas e o eventual represamento e aumento do prazo de processamento dos pedidos de renovação, tendo em vista a estimativa de vencimento simultâneo de mais de 1,5 milhão de registros de armas de fogo”, diz a publicação da PF.

PRF realiza mobilização nacional por criação do Fundo de Combate às Organizações Criminosas

Secom/PRF

Policiais Rodoviários Federais vão realizar nesta sexta-feira (27), uma mobilização em prol da criação do Fundo de Combate às Organizações Criminosas (Funcoc), iniciativa considerada estratégica para o fortalecimento da segurança pública federal e para o enfrentamento qualificado do crime organizado no país. Os atos foram definidos após deliberação da Comissão de Mobilização da Federação Nacional dos Policiais Rodoviários Federais (FenaPRF) e iniciam a partir das 14h com concentração em unidades da PRF em todo o país. No Distrito Federal, policiais se reunirão no Departamento da PRF, no Setor Policial Sul, em Brasília.

Além dos atos, está programada para a próxima semana uma interrupção de serviços que não estão legalmente previstos como atribuições da PRF, como as forças-tarefa voltadas ao combate de irregularidades no setor de combustíveis. A medida pode ocorrer justamente em um momento em que cresce, dentro do governo federal, a preocupação com uma possível greve nacional de caminhoneiros, mesmo após o atendimento da principal reivindicação da categoria: a garantia do cumprimento do piso mínimo do frete.

A proposta de criação do fundo foi apresentada ainda na gestão do então ministro Ricardo Lewandowski e prevê a destinação de recursos para investimentos institucionais e valorização das forças de segurança da União. Atualmente, porém, o projeto de lei encontra-se paralisada no Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI).

Policiais Rodoviários e outras carreiras da segurança pública da União vêm alertando sobre a urgência em torno da criação do Funcoc como uma forma de valorização pelo trabalho desenvolvido pelas forças policiais. Segundo os dados da PRF, entre 2023 e 2025, foram apreendidos: 2.109,4 toneladas de maconha; 124,6 toneladas de cocaína; 4.494 armas; 1.226.514 unidades de anfetaminas; e 107.333 m³ de madeira ilegal, resultando na detenção de 123.545 infratores.

“Os números da PRF evidenciam a dimensão do enfrentamento ao crime no Brasil: enquanto organizações criminosas movimentam cerca de R$ 350 bilhões por ano, o Estado investe menos de R$ 16 bilhões em segurança pública, é o dinheiro do crime sendo revertido contra o próprio crime, sem novos custos para o cidadão”, destaca o presidente da FenaPRF, Tácio Melo.

Outra preocupação da PRF é o tratamento isonômico que esperam que o Poder Executivo dê aos órgãos de segurança pública. “A Polícia Rodoviária Federal não aceitará tratamento desigual frente às demais carreiras policiais federais. Qualquer iniciativa relacionada ao Funcoc ou à valorização das forças de segurança da União precisa contemplar a categoria de forma justa, sob risco de enfraquecer a coesão e a efetividade do sistema de segurança pública federal”, acrescenta Melo.

PMs, guarda municipal e policial penal são presos por fraude em concurso do TJPE

DPnet

A Operação Kýma foi deflagrada, nesta quarta-feira (25), pela Polícia Civil de Pernambuco, com 11 mandados de prisão, expedidos pela 15ª Vara Criminal da Capital. Do total, quatro são contra agentes de segurança pública: 2 policiais militares (um de Pernambuco e outro do Piauí), um guarda municipal do Rio Grande do Norte e um policial penal.

A operação apura a fraude no concurso do TJPE, realizado em 21 de setembro de 2025 para o cargo de técnico. O certame acabou sendo anulado após a confirmação das irregularidades.

Conforme a Polícia Civil, os quatro têm envolvimento no esquema, mas de formas distintas.

Um PM integrava a organização, atuando na logística e distribuição de equipamentos usados na fraude, enquanto que o outro era cliente da quadrilha. A mesma situação do guarda municipal e do policial penal.

Um terceiro policial militar também foi alvo de mandado, mas o de busca e apreensão. No total, foram expedidos 22 mandados.

Os mandados foram cumpridos no Recife, Jaboatão dos Guararapes, Camaragibe, Vitória de Santo Antão, Itaquitinga, Araçoiaba, Petrolina, além de diligências no Rio Grande do Norte.

Como funcionava o esquema:

De acordo com a Polícia Civil, a organização criminosa atuava em duas frentes principais.

1- Captação e vazamento da prova:

Um integrante conseguia acesso antecipado ao conteúdo, registrava por imagens e repassava ao líder da organização.

2 – Resolução e distribuição dos gabaritos:

O material era enviado a pessoas responsáveis por resolver as questões, os chamados “professores”. Depois, o gabarito era repassado aos clientes.

Os candidatos utilizavam diferentes métodos para fazer uso das informações privilegiadas, como o uso de ponto eletrônico intra-auricular, conectado a celulares; dispositivo eletrônico em formato de cartão, que recebia sinal e transmitia via bluetooth e anotações em papel escondidas nas roupas.

Integrantes da organização também iam até locais de prova orientar os candidatos sobre como esconder os materiais e identificar o tipo de prova.

Tecnologia para burlar fiscalização

A quadrilha utilizava equipamentos modificados para evitar detecção por detectores de metal, inclusive com alteração de componentes internos de celulares para reduzir a carga metálica.

Há indícios de que equipamentos chegaram a ser importados do exterior, possivelmente da Europa.

Mais onze pessoas presas em nova operação contra fraude em concurso público

A Polícia Civil de Pernambuco intensificou o combate às fraudes em concursos públicos e deflagrou, nesta quarta-feira (25), duas grandes operações simultâneas. A ação mais ampla, batizada de “Kýma”, resultou na prisão de 11 pessoas suspeitas de integrar um esquema criminoso que também envolve lavagem de dinheiro.

Paralelamente, a operação “Crivo” também realizada nesse mesmo dia, com foco exclusivo em fraudes em concursos. Nesta fase, foram cumpridos 15 mandados de busca e apreensão, com atuação de mais de 100 agentes. O objetivo é aprofundar a identificação de outros envolvidos e fortalecer as provas.

Veja a nota da PF:

Nota à Imprensa

A Polícia Civil de Pernambuco desencadeou na manhã desta quarta-feira (25), a 23ª Operação de Repressão Qualificada do ano denominada “KÝMA”, vinculada à Diretoria Integrada Especializada (DIRESP), sob a presidência do Delegado Júlio César Pinheiro, Adjunto da 1ª Delegacia de Combate ao Crime Organizado (1ª DECCOR), unidade integrante do Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (DRACCO).

A investigação foi iniciada em dezembro de 2025, com o objetivo de identificar e desarticular Organização Criminosa voltada à prática de Fraude em Concurso Público e Lavagem de Capitais.

No dia de hoje estão sendo cumpridos 11 (onze) Mandados de Prisão, 22 (vinte e dois) Mandados de Busca e Apreensão Domiciliar e Ordem Judicial de Bloqueio de Ativos Financeiros, todos expedidos pelo Juízo da 15ª Vara Criminal da Capital. Na execução estão sendo empregados 130 (cento e trinta) Policiais Civis, entre Delegados, Agentes e Escrivães.

As investigações foram assessoradas pela Diretoria de Inteligência da Polícia Civil de Pernambuco (DINTEL), contando ainda com o apoio do Comando de Operações e Recursos Especiais (CORE/PCPE), da Corregedoria Geral da Secretaria de Defesa Social, da Gerência de Inteligência e Segurança Orgânica da Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (GISO/SEAP-PE), do Instituto de Criminalística (ICPAS/GGPOC), da Polícia Federal (PF) e da Polícia Civil do Estado do Rio Grande Do Norte.

Os detalhes da referida operação serão divulgados pela Assessoria de Comunicação da Polícia Civil em momento oportuno.

Delegacia Geral de Polícia

PF mira esquema milionário de fraudes contra a Caixa Econômica Federal

Prédio da Caixa Econômica Federal, em Brasília

A Polícia Federal deflagrou uma operação, na manhã desta quarta-feira, para desarticular uma organização criminosa especializada em fraudes bancárias contra a Caixa Econômica Federal, além da prática de estelionato e de lavagem de dinheiro.

Integrantes do Comando Vermelho e o CEO do Grupo Fictor, que compraria o Banco Master de Daniel Vorcaro, Rafael Góis, são alvos da ação, assim como o ex-sócio do Grupo Fictor, Luiz Rubini.

“A investigação teve início em 2024, quando foram identificados indícios de um esquema estruturado voltado à obtenção de vantagens ilícitas. O grupo criminoso atuava por meio da cooptação de funcionários de instituições financeiras e da utilização de empresas, inclusive vinculadas à grupo econômico específico, para a movimentação de valores e para a ocultação de recursos ilícitos”, diz a PF.

A ação cumpre 43 mandados de busca e apreensão e 21 de prisão preventiva, expedidos pela Justiça Federal de São Paulo, em cidades dos estados de São Paulo, do Rio de Janeiro e da Bahia.

Também foi determinado o bloqueio e o sequestro de bens imóveis, de veículos e de ativos financeiros até o limite de 47 milhões de reais, com o objetivo de descapitalizar a organização criminosa. As fraudes investigadas podem alcançar valores superiores a 500 milhões de reais. Foram ainda autorizadas medidas cautelares para o rastreamento de ativos financeiros, incluindo a quebra de sigilo bancário e fiscal de 33 pessoas físicas e 172 pessoas jurídicas.

“De acordo com as investigações, a organização utilizava empresas de fachada e estruturas empresariais para dissimular a origem dos recursos ilícitos. Funcionários de instituições financeiras inseriam dados falsos nos sistemas bancários para viabilizar saques e transferências indevidas. Posteriormente, os valores eram convertidos em bens de luxo e em criptoativos, com o intuito de dificultar o rastreamento”, diz a PF. A operação contou com o apoio da Polícia Militar do Estado de São Paulo.