
Estadão
O Brasil registrou mais de 50,7 milhões de mensagens com tentativas de golpe no primeiro semestre de 2026. O volume equivale a uma média de 3,2 abordagens fraudulentas por segundo direcionadas aos brasileiros.
Os dados constam no relatório Mapa da Fraude, divulgado com exclusividade ao TecMundo pela Serasa Experian. O estudo mostra que o ambiente virtual teve uma alta generalizada nas ameaças. Entre janeiro e junho, a empresa identificou 20.840 ocorrências, entre anúncios, perfis, páginas e aplicativos falsos, o que representa um avanço de 27,2% em comparação com o mesmo período do ano anterior.
A maior parte dos ataques digitais utilizou anúncios falsos para alcançar as pessoas. Essa modalidade somou 62% das ameaças no período, o que representa mais de 12,9 mil casos em seis meses, ou mais de 70 registros por dia. O formato cresceu 19,5% em relação ao ano passado. O levantamento estimou ainda que os perfis falsos responderam por 19% dos casos, enquanto as páginas falsas somaram 18%.
Apesar de não liderarem em volume absoluto, os sites falsos dispararam. A criação dessas páginas fraudulentas subiu 107,1% em um ano, índice que equivale a uma média de mais de 20 novos endereços falsos detectados por dia.
Nova atuação dos criminosos
O diretor de autenticação e prevenção a fraude da Serasa Experian, Rodrigo Sanchez, afirma que a atuação dos criminosos mudou.
“Os números mostram que a fraude digital não está crescendo apenas em volume, mas também ampliando os pontos de contato com o consumidor. Uma mesma abordagem pode começar em um anúncio ou mensagem, direcionar a pessoa para um perfil ou site falso e, a partir daí, tentar induzi-la a compartilhar informações ou realizar uma transação. Essa dinâmica exige atenção em toda a jornada digital”, destaca o executivo.
A circulação desses conteúdos conta com estruturas organizadas. O relatório identificou 2,1 mil grupos dedicados à troca e disseminação de material fraudulento em aplicativos de mensagens.
De acordo com Sanchez, os dados comprovam a operação em rede dos golpistas. “Quando observamos milhares de grupos relacionados à troca de conteúdo fraudulento, percebemos que muitas dessas práticas não acontecem de maneira isolada. Há circulação de informações e conteúdos que podem dar escala às abordagens. Isso reforça a importância de combinar monitoramento, inteligência de dados e diferentes tecnologias de prevenção para antecipar riscos e interromper essas jornadas antes que cheguem ao consumidor”, analisa.
A presença de anúncios fraudulentos nas redes sociais e em sites de busca é um ponto de atenção para os especialistas, segundo o relatório.
“O cuidado precisa começar antes mesmo do clique. Esses conteúdos podem explorar ofertas, produtos ou serviços para atrair a atenção das pessoas e direcioná-las a outros ambientes fraudulentos, como páginas que simulam canais legítimos. Preços muito abaixo do mercado, senso excessivo de urgência e direcionamentos para páginas desconhecidas devem ser vistos com atenção. Para as empresas, monitorar o uso indevido de marcas e identificar esses conteúdos rapidamente também é parte importante da estratégia de prevenção”, pontua o diretor.
Medidas de proteção e segurança
A proteção contra esse tipo de crime exige a combinação de cuidados individuais com medidas técnicas das corporações. Para os cidadãos, a indicação central é nunca clicar de forma direta em links recebidos por redes sociais ou mensagens, além de checar a URL oficial antes de digitar senhas ou dados de cartões.
Em plataformas de comércio eletrônico, a consulta a vendedores desconhecidos e sem histórico prévio de vendas ajuda a diminuir o perigo de compras enganosas. Ofertas tentadoras precisam ser confirmadas diretamente nos canais próprios da marca, e pedidos urgentes de dinheiro em nome de parentes exigem checagem prévia por telefone ou chamada de vídeo. Manter sistemas atualizados e usar a verificação em duas etapas completam o escudo básico.
Do lado corporativo, a pesquisa destaca que a defesa não pode ficar restrita à etapa do pagamento. As organizações necessitam monitorar menções indevidas a seus nomes, produtos e serviços em redes e lojas de aplicativos para derrubar páginas cópias antes do alcance às vítimas. A aplicação de defesas em camadas, somada à análise do comportamento comum do cliente, viabiliza o bloqueio preventivo de movimentações anômalas sem comprometer a facilidade de uso dos canais legítimos.
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