
A Latam Brasil conta com 94 pilotos mulheres, 4,1% dos seus 2.287 tripulantes técnicos. A Azul tem 86, ou 4,4% do total da companhia. A GOL não quis confirmar o quadro feminino, mas um levantamento mostra que eram 55 pilotos mulheres em seu quadro em 2025.
Na Azul, a única a divulgar os dados sobre Comandantes, avanço também foi observado: elas passaram de 18 em 2020 para 30 em 2026. O aumento foi de 66,7%.
A Azul e a Latam Brasil afirmam possuir políticas para ampliar presença feminina. A Latam informou, por meio da assessoria, que 6,5% dos contratados em 2025 eram mulheres, com 16 entre os 247. A empresa tem ainda o “Proa Direta”, programa de aproximação com candidatas. E a Azul declara alta de 30% no número de pilotos mulheres desde 2020.
Na Azul, a série histórica recente mostra que a participação feminina entre os pilotos foi de 3,93% em 2020, 3,99% em 2021, 4,38% em 2022, 4,32% em 2023, 4,28% em 2024 e 4,44% em 2025.
Uma diferença apontada por mulheres em setores com predominância masculina é a desigualdade salarial. Na aviação, porém, esse cenário não se verifica. A remuneração é definida por critérios objetivos: horas de voo e quilômetros voados.
Sobre a hipótese de mulheres serem mais prudentes no ar, assim como nas estradas, conforme pesquisa publicada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) concluiu.
Foram expedidas 29.359 licenças para as funções de piloto comercial e de linhas aéreas no Brasil de 2005 a 2026. Dessas, 96,24% foram concedidas a homens. O país tem, hoje, 1.105 mulheres aptas a voar para companhias aéreas.
Segundo a comandante Tatiana Mônico, o número baixo se deve a barreiras discriminatórias, aos altos custos da formação e, principalmente, a dificuldade de acumular as horas de voo exigidas pelas companhias aéreas.
O total de licenças expedidas (homens e mulheres) oscilou junto aos ciclos políticos do país. O pico da série ocorre em 2012, no 1º mandato de Dilma Rousseff, com 1.907 licenças concedidas. O número cai ao menor patamar desde 2009 durante a pandemia, em 2020, no governo Bolsonaro. Em 2025, no 3º mandato de Lula, um 2º pico: 1.856, perto do patamar de 2012. Os dados de 2026 somam apenas 808 licenças, pois só cobrem o 1º semestre do ano.



