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Por Lauro Jardim/O Globo
A Câmara dos Deputados colocou sob sigilo a lista de passageiros de um voo da FAB que levou Hugo Motta e Gilmar Mendes para participar da primeira edição latina do “Gilmarpalooza”, o fórum jurídico organizado pelo ministro do STF, em Buenos Aires.
O jatinho da FAB foi requisitado para apoiar o presidente da Câmara e saiu de Brasília em 5 de novembro, com 10 passageiros. A lista, no entanto, não foi publicada pela Aeronáutica, como em outros casos.
Na ocasião, a Aeronáutica alegou que o voo foi solicitado por “motivos de segurança” e, por isso, a relação de quem estava a bordo não seria divulgada.
A coluna então pediu, via Lei de Acesso à Informação, a lista completa dos passageiros. Mas a Câmara alegou que o uso dessas aeronaves ocorre por motivos de segurança que “impelem a classificação de sigilo de informações como as reivindicadas”.
Trata-se do mesmo expediente adotado em julho, após Motta viajar ao próprio Gilmarpalooza, em Lisboa. Naquela época, a Câmara também rejeitou um pedido de acesso à informação feito pelo repórter Rafael Moraes Moura, da coluna de Malu Gaspar, que revelou o voo.
Diante da negativa, o TCU abriu um processo para apurar o sigilo. O subprocurador-geral Lucas Furtado entrou com uma representação para que a Câmara fosse obrigada a informar a lista completa de passageiros.
De acordo com um decreto editado em 2020, referente ao transporte aéreo de autoridades em aeronaves da Aeronáutica, cabe ao órgão solicitante prestar esclarecimentos sobre a lista de passageiros que acompanharam a autoridade no deslocamento.



