Campanha de Lula estimula ‘missões’ diárias para militância reagir à alta de Flávio nas pesquisas

Estadão

Diante de um cenário de crise, a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) iniciou uma força-tarefa nas redes sociais para estimular a militância a divulgar os principais feitos do governo e atrair o voto do eleitor indeciso. Desde o último dia 7, a campanha vem divulgando “missões” em aplicativos de mensagem, de forma diária, para serem cumpridas pelos apoiadores.

Nelas, há o pedido para que se compartilhem materiais preparados pela campanha, divulgando realizações do governo e ataques a Flávio Bolsonaro (PL), principal oponente do petista, e ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça. Ministros próximos a Lula atribuem ao magistrado o desgaste do presidente em pesquisas de intenção de voto recentes.

“Já pensou como seria o mês de uma família sem o Bolsa Família? Imagina perder esse direito. Imagina o risco de eleger a família Bolsonaro e colocar esse direito em jogo”, dizia o texto de uma missão no grupo Zap do Lula nesta sexta-feira (18). “Não basta você saber. Converse! Faça essa mensagem chegar a mais gente. Compartilhe e vote 13”.

“Lula é soberania, futuro e defesa do povo brasileiro! Missão de hoje: Fale com uma pessoa indecisa sobre a importância de Lula. Escolha um conteúdo e compartilhe agora nas redes e nos grupos. Cada conversa conta. Cada compartilhamento multiplica!”, dizia um dos pedidos a militantes, divulgado no último dia 9 também no grupo Zap do Lula.

A campanha hoje mantém pelo menos quatro diferentes frentes de apresentação de conteúdos no WhatsApp para divulgação de apoiadores. São elas, o Lulaverso, o Zap do Lula, o Pode Espalhar e o Porta-Voz do Lula. As mensagens podem variar dependendo do grupo. Todos esses grupos divulgam diariamente conteúdo de apoio a presidente – a adoção das missões diárias traz urgência para que apoiadores participem ativamente da campanha, dizem coordenadores petistas.

O grupo Porta-Voz do Lula foi criado em junho deste ano com foco na campanha em outubro. A iniciativa é encabeçada pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos. Inicialmente, o trunfo dessa ideia, a mais nova entre elas até então, era fazer com que cada apoiador virasse um “microinfluenciador” para convencer pessoas de seu entorno a apoiar Lula. Boulos esporadicamente divulga mensagens nesse grupo pedindo apoio a Lula.

“Tá na hora de levantar da cadeira e ir para a ofensiva. Se alguém ainda estava achando que a eleição estava ganha, já percebeu pelas últimas pesquisas que essa campanha vai ser voto a voto. Eleição não se ganha parada nem com salto alto. Eleição se ganha dialogando com os indecisos e enfrentando os adversários”, disse ele nesse grupo no dia 11.

Além do pedido para convencer indecisos, feito duas vezes em dois grupos diferentes, a campanha deu a missão para que apoiadores falem de segurança pública (cinco vezes nos quatro grupos) e da soberania nacional (três missões em três diferentes grupos).

“Faltam apenas 23 dias pra eleições e a segurança pública é um tema que preocupa todo mundo. Lula tem propostas concretas pra enfrentar a violência: integração, estratégia e inteligência pra combater o crime da esquina ao andar de cima! A missão de hoje é espalhar essa mensagem! Assista ao vídeo, compartilhe e converse com mais pessoas. Tem lugares onde só você pode chegar!”, dizia um dos textos, divulgado no grupo Pode Espalhar.