Canetas para obesidade: em novo estudo, retatrutida leva à perda média de 32 quilos, diz fabricante

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Estadão

Dados divulgados neste sábado (06), pela farmacêutica Eli Lilly mostram que o medicamento em testes retatrutida levou à perda média de 32 quilos ou 28,3% do peso corporal quando usado na dose máxima (12 mg) durante 80 semanas, e controlou indicadores associados ao diabetes tipo 2 na maioria dos pacientes.

Os dados são de dois estudos de fase 3 realizados com mais de 2,3 mil pacientes com obesidade, sobrepeso ou diabetes. Eles foram apresentados neste sábado na 86ª Sessão Científica da Associação Americana de Diabetes, nos Estados Unidos.

Considerada uma versão ainda mais avançada das chamadas canetas emagrecedoras, a retatrutida funciona ativando três receptores hormonais ligados à regulação da fome, secreção de insulina, controle de glicose, entre outras funções metabólicas: os de GLP-1, GIP e glucagon. A semaglutida, princípio ativo do Ozempic, atua apenas no primeiro receptor, enquanto a tirzepatida, substância do Mounjaro, atua nas vias hormonais do GLP-1 e GIP.

Assim como as canetas já disponíveis no mercado, a retatrutida é também aplicada uma vez por semana com uma injeção no tecido subcutâneo.

De acordo com a farmacêutica, no estudo Triumph-1, que avaliou adultos com obesidade ou sobrepeso, os participantes que receberam 12 mg de retatrutida (a dose máxima) perderam, em média, 31,9 kg ao longo de 80 semanas. Isso representou uma redução média de 28,3% do peso corporal.

Ainda segundo a companhia, 65,3% dos participantes que receberam a dose máxima conseguiram reduzir o Índice de Massa Corporal (IMC) para menos de 30, deixando de preencher o critério de obesidade.

Além disso, 33,3% chegaram a um IMC abaixo de 25, faixa considerada adequada. Entre os participantes que tinham IMC inicial de 35 ou mais, classificados como pacientes com obesidade grau 2, os que seguiram usando 12 mg por até 104 semanas perderam, em média, 38,6 kg, ou 30,3% do peso.

O Triumph-1 avaliou ainda o impacto da retatrutida na redução de problemas associados à obesidade. No estudo de fase 3, participantes com artrose de joelho tiveram uma redução de 73,1% na escala de dor. Em pessoas com apneia obstrutiva do sono, houve uma redução de 60,6% nos eventos registrados de apneia.

No estudo Transcend-T2D-1, com foco em pacientes com diabetes tipo 2, a retatrutida levou à uma redução média da hemoglobina glicada de até 2 pontos percentuais, partindo de uma média inicial de 7,9%.

O indicador funciona como uma “memória” da glicose no sangue. Diferentemente da glicemia medida em um único momento, ela indica a média dos níveis de açúcar nos últimos dois a três meses.

Em geral, valores abaixo de 5,7% são considerados normais; entre 5,7% e 6,4% indicam pré-diabetes; e 6,5% costumam indicar um diagnóstico de diabetes.

No estudo, que teve os resultados simultaneamente publicados na revista científica The Lancet, 90% dos participantes conseguiram manter a hemoglobina glicada abaixo de 7%, meta geral recomendada pela Associação Americana de Diabetes para indivíduos já diagnosticados com a condição.

A empresa também informou que 85% dos participantes ficaram com o índice abaixo de 6,5%, e 46% alcançaram a faixa abaixo de 5,7%.

Outros resultados da retatrutida

Os estudos também observaram melhora em alguns fatores de risco cardiovascular. No Triumph-1, a farmacêutica relatou reduções de até 41% nos índices de triglicérides, 24,2% em colesterol não HDL, 12,3 mmHg na pressão arterial sistólica e 24,1 cm na circunferência da cintura em 80 semanas.

No Transcend-T2D-1, as reduções chegaram a 39,6% em triglicerídeos, 19,8% em colesterol não HDL, 6,4 mmHg na pressão sistólica e 12,4 cm na circunferência da cintura em 40 semanas.

Os eventos adversos foram parecidos aos observados em outras terapias similares. No Triumph-1, os efeitos mais comuns entre pessoas que receberam retatrutida foram náusea, diarreia, constipação, vômito e infecção do trato respiratório superior. Na dose de 12 mg, por exemplo, 42,4% relataram náusea, 32% teve diarreia e 25,3%, vômito. No Transcend-T2D-1, os efeitos adversos mais comuns também foram gastrointestinais.

Embora os resultados sejam animadores, a retatrutida segue em estudos clínicos e não é um medicamento aprovado em nenhum país. Após a conclusão das pesquisas de fase 3, a farmacêutica deverá pedir o registro comercial da droga, mas ainda não há previsão de quando isso irá acontecer.