
IstoÉ Dinheiro
Renault Kwid e Fiat Mobi dominam a lista dos carros de entrada que ficaram mais baratos com a isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), garantida pelo programa Carro Sustentável, decretado pelo governo federal na última quinta-feira (10) e vigente até 31 de dezembro de 2026. Hyundai HB20, Fiat Argo e VW Polo Track completam o ranking.
Os candidatos ao desconto devem emitir menos de 83g de CO₂ por quilômetro; conter mais de 80% de materiais recicláveis; ser fabricado no Brasil (o que inclui etapas como soldagem, pintura, fabricação do motor e montagem); e se enquadrar em uma das categorias de carro compacto.
Critérios como fonte de energia, eficiência energética, potência do motor, segurança veicular e facilidade de reciclagem também têm influência sobre a alíquota base de 6,3% para veículos de passeio, podendo majorar ou diminuir pontos percentuais.
Um carro de passeio híbrido-flex, por exemplo, pode ter sua alíquota reduzida em 1,5 ponto percentual. Se também atender ao critério de eficiência do MOVER, perde mais 1 ponto, e se cumprir o nível 1 de reciclabilidade, perde outro ponto. Com isso, o IPI desse veículo cai de 6,3% para 2,8%.
Por outro lado, certas categorias terão alíquota do IPI onerada. Isso porque, para compensar a renúncia fiscal de veículos considerados sustentáveis, modelos mais potentes ou movidos apenas a gasolina ou a diesel, consequentemente mais poluentes, pagarão a conta, mesmo que híbridos. É a lógica do “soma zero”.
Vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin defende que o programa “estimula a cadeia automotiva a ser cada vez mais inovadora e sustentável, ao mesmo tempo em que gera empregos e facilita o acesso da população a carros novos, menos poluentes, mais seguros e mais econômicos”.
Para Milad Kalume Neto, o Carro Sustentável acerta ao usar critérios técnicos e ambientais, como mensuração do CO2 desde o ponto inicial da cadeia produtiva até a ponta do escapamento e índice de reciclabilidade, para definição do IPI e sistema bônus-malus para estimular o avanço da eficiência energética e da segurança.
“Está alinhado com o padrão internacional de combate ao uso do diesel, combustível altamente penalizado pelo programa, principalmente se utilizado sem qualquer tecnologia de eletrificação. Aqui vale lembrar que o nosso diesel é subsidiado pois nossa economia ainda roda por estrada”, pontua um dos sócios da consultoria K.Lume.
Contudo, erra ao dar ênfase em veículos de entrada. “Nossa indústria tem essa especialidade, mas o processo de eletrificação está aí e os descontos concedidos para os veículos dessa categoria ficaram aquém do esperado”, pondera Kalume, que ainda acrescenta: “O IPI é um imposto que vai no final da cadeia e tradicionalmente não deixa qualquer legado para a indústria em desenvolvimento, logística ou distribuição, visando apenas o consumo”.
Seu colega Ricardo Bacellar argumenta que, antes do Carro sustentável, seria preciso debater o custo da produção nacional, para ele o problema central da indústria automotiva brasileira. “Qualquer medida é sempre bem-vinda. Mas destaco uma frase recente do Santiago Chamorro, presidente da GM América do Sul, que alegou ser mais barato trazer da China, pagando imposto, do que produzir aqui”, alerta o consultor automotivo e apresentador do programa Papo de Garagem.
Bacellar também cita a elevada taxa de juros, em junho, o Banco Central elevou a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, chegando a 15% ao ano, e o declínio das vendas para pessoa física. “Pior: estamos vendo o índice de inadimplência crescendo”, adverte.





