
Um levantamento divulgado pela Oxfam nesta sexta-feira (16), em alusão ao Dia Mundial da Alimentação, escancara uma contradição nas políticas regulatórias da União Europeia (UE). O bloco continua produzindo e exportando pesticidas considerados tóxicos demais para serem utilizados dentro de suas próprias fronteiras.
De acordo com o relatório, o Brasil ocupa a segunda posição no ranking de maiores importadores desses produtos, tendo recebido aproximadamente 15 mil toneladas em 2024. Os Estados Unidos lideram a lista.
A organização não governamental concluiu que as normas europeias estabelecem critérios desiguais em relação aos agrotóxicos altamente perigosos (AAPs).
Na prática, os mecanismos de regulação protegem parcialmente a população e o meio ambiente do próprio bloco, enquanto autorizam que as substâncias banidas continuem sendo fabricadas e vendidas para outras nações.
Em territórios como o brasileiro e o sul-africano, as lavouras são pulverizadas com volumes expressivos desses insumos produzidos por companhias europeias.
Duplo padrão e riscos
A Oxfam alerta que os AAPs representam cerca de um terço dos ingredientes ativos utilizados globalmente. O uso desses químicos é concentrado principalmente em países do Sul Global, onde os aparatos de fiscalização e proteção costumam ser mais frágeis.
Segundo o documento, em 2024, os Estados-Membros da UE exportaram quase 122 mil toneladas de pesticidas proibidos internamente. O volume é mais que o dobro do registrado em 2018.
Ao todo, 93 países importam agrotóxicos perigosos da Europa, sendo 75% deles nações de baixa e média renda.
Mercado concentrado e recorde de aprovações
O relatório destaca que seis dos dez pesticidas mais vendidos no Brasil são proibidos na União Europeia, mas continuam sendo aplicados em lavouras e áreas próximas a florestas por tratores, aviões e drones.

















