
Estadão
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, diz estar satisfeito com sua atuação à frente da pasta e afirma que já entregou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva tudo o que lhe foi encomendado. Ele deixou em aberto a sua continuidade no cargo caso Lula seja reeleito. “Não sei se tenho pretensão de continuar na Fazenda”, considerou.
Haddad também comentou o pedido do presidente de fazer um estudo sobre a gratuidade de transporte público, tema alavancado recentemente pelo deputado federal Jilmar Tatto (PT-SP). Para muitos, inclusive dentro do governo, esta pode ser a principal bandeira da campanha de 2026, junto à ampliação da isenção do Imposto de Renda para R$ 5 mil mensais, que deve ser sancionada na semana que vem.
O ministro afirmou, porém, que não vai ter pressa em terminar esse estudo e que a medida não é para o ano que vem. Haddad explicou que reuniu sua equipe para começar a tratar do tema e que há muitas possibilidades sobre a mesa. De qualquer forma, segundo ele, o projeto só irá adiante se tiver alguma fonte de compensação. “(A tarifa gratuita) só será viável se for fiscalmente neutra. Se não, não vamos fazer. Não tenho espaço fiscal para isso”, afirmou.
Haddad também relatou que não há novidades sobre um possível reajuste para o Bolsa Família no ano que vem. “Ninguém falou comigo sobre isso”, disse.
A seguir, os principais trechos da entrevista:
Como foi a reunião do sr. e outros ministros no Palácio do Planalto nesta quinta-feira?
O tema foi segurança pública, à luz do que tramita no Congresso: PEC da segurança pública, lei do devedor contumaz, lei antifacção, lei sobre receptação. Fomos discutir um pouco esses diplomas legais – um dos quais há oito anos está tramitando no Congresso Nacional, lei importantíssima que pega o crime organizado pela lavagem de dinheiro. Fizemos um balanço e há imperiosa necessidade de que a União atue na segurança pública, que não está prevista na Constituição Federal. A PEC da segurança abre uma possibilidade grande de troca de informações, trabalho de inteligência, coordenação interfederativa. (A participação da União) não pode depender só de boa vontade. Tem de ter comandos constitucionais que estabeleçam a regra, não a exceção.
Como se faz isso?
Tivemos o pacto federativo em torno da reforma tributária. Já houve pacto federativo para construir o SUS. O Brasil sabe fazer pactos federativos. E aí, ao invés da disputa política partidária, você tem a operação federativa como política de Estado – o que dá consistência para a atuação do Estado brasileiro. Na segurança, está faltando um pacto federativo.
O mercado financeiro parece feliz: a Bolsa está batendo recordes, o dólar se acomodou. O mercado está mais satisfeito com o governo do que o PT?













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