
Por Raphael Guerra/JC
A Polícia Civil de Pernambuco registrou 86 crimes de feminicídio em 2021. Desse total, 33 (ou seja, 38%) foram praticados por uso de armas de fogo. Mas não há informações oficiais que apontem quantas dessas armas eram ilegais e quantas os autores dos crimes tinham direito ao porte ou posse delas.
O aumento da circulação de armas no País, estimulado pelo governo federal, pode elevar a violência doméstica e até os feminicídios, segundo especialistas. Isso porque, com uma arma dentro de casa, as mulheres sofrerão mais ameaças e crescerá o medo de denunciar seus agressores.
No Estado, houve aumento de 14,6% nos casos de feminicídio – que em geral são praticados por maridos, namorados ou ex-companheiros – em relação a 2020. Apesar disso, sem estudos do governo estadual, não é possível afirmar que o crescimento dessas mortes tem relação com armas legalizadas.
A Secretaria Estadual da Mulher, que também acompanha os casos para criar medidas de prevenção às vítimas, disse que não conta com dados sobre as origens das armas usadas nos feminicídios.
Um episódio recente serve de alerta ao Estado. Em 18 de fevereiro deste ano, um empresário do ramo de ferragens foi preso em flagrante suspeito de atirar duas vezes nas pernas da namorada, de 21 anos, perto de um bar no bairro de Casa Forte, na Zona Norte do Recife. Felizmente, ela sobreviveu.
Na ocasião, a polícia relatou que o suspeito, Carlos André Souza, 41, tinha direito à posse de arma de fogo, mas não poderia estar portando a pistola calibre 9 milímetros – como ocorreu no momento do crime. Por lei, a arma deveria estar guardada, em segurança, na casa dele.
De acordo com a polícia, o casal estava mantinha um relacionamento há cerca de nove meses. Eles já moravam juntos. Pouco antes do crime, eles teriam tido uma discussão. A vítima saiu de casa dizendo que ia a um bar na Avenida 17 de Agosto. O empresário acabou indo até o estabelecimento e houve uma nova discussão. Ele então teria ido até o carro, onde pegou a pistola e, do lado de fora, atirou contra a namorada.
Policiais do Batalhão de Trânsito, que faziam blitz perto do local, ouviram os tiros e foram até o local. O suspeito acabou preso em flagrante por porte ilegal de arma de fogo e lesão corporal grave – o que foi muito questionado.
Além da pistola, dois carregadores e 33 munições intactas foram apreendidos pela polícia. Ele passou por audiência de custódia e teve a prisão convertida em preventiva pela Justiça.
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