Maioria das mortes hoje é de pacientes não vacinados, indicam dados dos estados

https://s2.glbimg.com/t_fQOVOJm-Uc8URK47FIsPNGTSA=/0x0:5184x3456/984x0/smart/filters:strip_icc()/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2022/B/0/iv2kWsRAicVxOFGBd5wQ/img-1806.jpg

G1

Quem são as pessoas que estão morrendo por coronavírus em 2022? Qual o impacto exato da vacinação na prevenção das mortes? Não há um levantamento do Ministério do Saúde sobre o tema. Mas diferentes dados de secretarias estaduais de saúde confirmam o alerta de especialistas:

  • os não vacinados são a maioria das vítimas pela doença nesta atual fase da pandemia.

Amazonas, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo divulgaram dados de diferentes tipos que confirmam a efetividade da vacina (veja destaques abaixo). Por exemplo, Santa Catarina apontou que o risco de idosos não vacinados ou com vacinação incompleta morrer de Covid foi 47 vezes maior do que naqueles que já receberam a dose de reforço.

Para Juarez Cunha, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBim), os dados já refletem uma verdade que, para ele, é consistente. O fato de terem metodologias diferentes não muda o que eles indicam.

“Baseado no que tem sido divulgado, tanto por secretarias estaduais, quanto por outros países, o que tem sido observado é exatamente isso: a imensa maioria das internações mais graves não tem o esquema vacinal completo”, afirma Juarez Cunha.

Ethel Maciel explica que, mesmo sendo pesquisadora, não está conseguindo acessar as taxas de mortalidade relacionadas ao coronavírus em vacinados e não vacinados. ” É preciso ter dado com essa informação e não temos abertos”, explica a professora da Universidade Federal do Espírito Santo e pós-doutora em epidemiologia pela Universidade Johns Hopkins.

A dificuldade para os pesquisadores está na falta de integração entre os sistemas federais que consolidam dados de vacinação e os de casos e mortes por Covid, dificuldade para a qual o Ministério da Saúde não ofereceu alternativa e não realizou estudos próprios.

O G1 entrou em contato com o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), que sinalizou que também não tem um levantamento nacional a respeito do assunto. Já o ministério disse que estaria levantando as informações junto à área técnica, mas, até a publicação desta reportagem, não havia enviado as informações.

Veja abaixo dados estaduais:

Amazonas

No Amazonas, estado que nos últimos dois janeiros pandêmicos viu o número de casos e mortes do coronavírus disparar. A diferença em comparação com o ano passado é brusca: no primeiro mês de 2021, o estado havia perdido 3.556 pessoas para a Covid-19. Neste ano, até 3 de fevereiro, a Secretaria de Estado de Saúde aponta 152 mortes pela Covid-19.

Dentre elas, 62,5% não tinham se vacinado ou completado o esquema de imunização. Wilson Lima, governador do estado, diz que os “números confirmam que a gente está no caminho certo, incentivando a vacinação”.

Dentre os estados que já contabilizaram seus dados, o Amazonas tem um dos índices mais baixos – 6 a cada 10 mortes — em outras regiões, os não vacinados somam percentuais maiores:

Rio Grande do Sul

Ler mais

Vício em games é reconhecido como doença pela OMS; conheça os sinais do distúrbio

https://blogdoelvis.com.br/wp-content/uploads/2022/02/11111.jpg

Folha de Pernambuco

Agora é oficial. O chamado distúrbio de games é considerado uma doença pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O que sacramentou a decisão foi à publicação no mês passado de uma versão atualizada da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde, chamada CID-11.

Nela, o problema é definido como um padrão de comportamento caracterizado pela perda de controle sobre o tempo de jogo, sobre a prioridade dada aos jogos em relação a outras atividades importantes e a decisão de continuar de frente à tela apesar de consequências negativas.

O diagnóstico é dado quando os prejuízos afetam de forma significativa as áreas pessoais, familiares, sociais, educacionais e ocupacionais ao longo de cerca de 12 meses. A descrição lembra você? Ou alguém muito próximo?

— Esse é um problema que já vem ocorrendo há muito tempo, mas que piorou. Hoje, a quantidade de jovens que passam horas e até dias na frente do videogame aumentou muito, relata o psicólogo Cristiano Nabuco, coordenador do Grupo de Dependências Tecnológicas do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP).

Ele conta o caso de um paciente que chegava a ficar 55 horas seguidas conectado. Não levantava nem para ir ao banheiro, fazendo as necessidades nas calças. Outras pessoas param de tomar banho, se afastam dos amigos, perdem o emprego ou o total interesse pelo estudo.

Uma boa parte do problema está no modelo de negócios das desenvolvedoras de games, setor aquecido por recentes aquisições bilionárias por parte das big techs. Dizem que não precisa pagar para começar a jogar.

Mas quanto mais tempo elas mantêm os clientes engajados, mais conseguem vender “vantagens”. Por isso, analisam constantemente o comportamento dos usuários e testam novas maneiras para evitar que desliguem ou façam outra coisa.

Ler mais

Número de profissionais de saúde com Covid-19 sobe 284% em duas semanas em Pernambuco

Somente na semana passada, 809 profissionais de saúde foram diagnosticados com Covid-19 em Pernambuco — Foto: Reprodução/TV Globo

As infecções por Covid-19 provocadas pela variante ômicron tiveram impacto na rotina de muitos trabalhadores de saúde. Dados da Secretaria Estadual (SES-PE) apontam um aumento de 284% no número de profissionais doentes, em duas semanas. É o recorde na média móvel de casos em profissionais de saúde desde o início de 2021.

Nesta sexta-feira (04) a média era de 146 confirmações por dia. No dia 21 de janeiro, Pernambuco registrou uma média de 38 casos de Covid em profissionais de saúde.

O afastamento do trabalho de centenas de profissionais de saúde por suspeita ou confirmação da Covid-19 tem afetado o atendimento nas unidades de saúde de Pernambuco.

Na semana passada, 809 deles foram diagnosticados por meio de testes realizados no estado. Do domingo até esta sexta-feira, outros 624 testaram positivo.

Enquanto tantos profissionais precisaram ser afastados, também aumenta a demanda por atendimento, por causa da aceleração da variante ômicron. A procura por leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), por exemplo, aumentou 18% em uma semana.

Uma situação que desorganiza tudo nas unidades de saúde e deixa o atendimento mais precário. São mais de 1.800 pessoas internadas, nas redes pública e privada, precisando de cuidados.

O enfermeiro e técnico de enfermagem Paulo Williams Pereira diz que não se surpreendeu por pegar o novo coronavírus. Ele contou que a maioria dos profissionais com teste positivo está sem sintomas.

“É difícil a gente ter o controle. Mesmo com os números altos de profissionais se afastando, as estatísticas podem ser maiores, se todos puderem fazer a testagem. Está difícil”, disse.

Paulo trabalha em ambulâncias e também no Hospital Getúlio Vargas (HGV), na Zona Oeste do Recife. Atende pacientes com Covid desde o início da pandemia, em 2020.

Recentemente, chegou a fazer um plantão bem maior do que o normal para cobrir escalas alteradas por causa do afastamento de colegas. Pegou o novo coronavírus pela segunda vez e ainda está em casa.

Ler mais

Novas restrições entram em Pernambuco, enfim, na ordem do dia

https://cdn.folhape.com.br/img/pc/1100/1/dn_arquivo/2021/08/coletiva-sobre-a-covid-19-10-1.jpg

Em meio à explosão de casos da variante Ômicron e diante da situação crítica na ocupação das UTIs para pacientes com síndrome respiratória aguda crônica, o governo do estado finalmente sinalizou mudanças na polêmica versão atual do Plano de Convivência com a Covid-19, que permite a realização de festas com até três mil pessoas. Em entrevista coletiva realizada ontem, o secretário de Saúde, André Longo, disse que o Gabinete de Enfrentamento antecipou para a próxima segunda-feira a discussão da necessidade de novas medidas, antes mesmo do encerramento da vigência do atual decreto, que vai vigorar, a princípio, até 14 de fevereiro.

A informação foi divulgada no mesmo dia em que o Comitê Científico do Consórcio Nordeste – entidade que reúne os estados da região e é presidida pelo governador Paulo Câmara – recomendou a proibição de festas e shows, além da suspensão do feriado de Carnaval.

“Pernambuco está, atualmente, entre os cinco estados com mais medidas de restrição no Brasil e é um dos poucos que exige, além do passaporte vacinal, o exame negativo da Covid-19 para entrada em eventos. No entanto, é um fato inegável a aceleração da Ômicron e vamos aguardar a conclusão desta semana epidemiológica para analisar os dados de forma pormenorizada e tomar as decisões que se façam necessárias. Como sempre ressaltei, o governo do estado não vai hesitar em ampliar as medidas, caso os indicadores se imponham”, comentou.

Longo também disse que o estado está registrando, nos últimos três dias, um aumento nos óbitos, mas que as informações só poderão ser especificadas em números na semana que vem. De acordo com o gestor, na quarta semana epidemiológica deste ano, encerrada no sábado, Pernambuco teve, pela terceira vez seguida, uma nova desaceleração nos casos de Srag, causada pelo arrefecimento da epidemia da Influenza A. Entre os dias 23 e 29/01, foram registradas 842 notificações, redução de 15% em uma semana e 28% em 15 dias. No entanto, a aceleração da Ômicron já impacta nas solicitações de leitos. A central de regulação registrou na SE 4 650 pedidos por vagas de UTI – um crescimento de 18% em uma semana, mas redução de 4% em 15 dias.

O avanço da variante e a redução da Influenza ficam mais evidentes na positividade para coronavírus dos casos de Srag, que saiu de 20%, na semana passada, para 36% atualmente. Já a positividade geral, nas amostras analisadas pelo Lacen-PE, saltou de 37% para 51%. Enquanto isso, a positividade geral para Influenza, que já atingiu patamares de 60% no final do ano passado, está, agora, em apenas 2,6%.

Leitos

Longo também destacou que a Secretaria Estadual de Imunização (SES-PE), por determinação do governador Paulo Câmara, mantém os trabalhos para garantir a assistência para as pessoas que, porventura, precisem de atendimento hospitalar para as síndromes respiratórias. Desde o final do ano passado, já foram colocados em funcionamento 802 novos leitos, sendo 334 de UTI. Ainda serão abertas, nos próximos dias, outras 400 vagas, 196 de UTI. Inclusive, 30 serão pediátricas, sendo 20 de UTI no Hospital de Referência à Covid-19 – unidade Olinda.

“Mas só os esforços do governo não serão suficientes. Para frear a circulação viral, precisamos do engajamento de todos”, disse Longo.

Com mais 7.806 infectados por Covid, Pernambuco bate recorde de confirmações diárias em toda a pandemia

Teste de Covid-19 sendo realizado em Pernambuco — Foto: Marlon Costa/Pernambuco Press

Pernambuco confirmou, nesta quarta-feira (02) mais 7.806 casos da Covid-19 e 23 mortes provocadas pela doença. Com isso, o estado bateu o recorde de notificações diárias e pessoas infectadas em toda a pandemia, que começou em março de 2020.

Até então, os registros mais altos, em 24 horas, tinham sido feitos em 29 de janeiro de 2022, com 6.581 casos confirmados, e, em 9 de junho de 2021, com 6.487.

Dos casos confirmados nesta quarta, 100 (1,2%) são de Síndrome Respiratória Aguda Grave (Srag) e 7.706 (98,7%) são leves.

Com as novas confirmações, Pernambuco chegou a 712.083 casos da Covid, sendo 56.252 graves e 655.831 leves. Além disso, ocorreram, ao todo, 20.682 mortes no estado.

Pernambuco já havia ultrapassado na terça-feira (1º) a marca de 700 mil casos da Covid-19, após registrar, em 24 horas, 6.010 infectados pelo novo coronavírus. O número tinha sido o terceiro maior contabilizado desde o início da pandemia.

Os altos números de contágio em Pernambuco, segundo o estado, ocorrem por causa da aceleração da variante ômicron do coronavírus, que, segundo especialistas, é muito mais contagiosa que cepas anteriores.

As 23 mortes registradas no boletim desta quarta ocorreram entre o dia 14 de maio de 2021 e a terça-feira (1º).

Os casos do novo coronavírus estão distribuídos por todos os 184 municípios pernambucanos, além do arquipélago de Fernando de Noronha.

“Os detalhes epidemiológicos serão repassados ao longo do dia pela Secretaria Estadual de Saúde”, informou no boletim.

Dengue se espalha e pressiona serviços de saúde em 5 estados

Agência Estado

Em ao menos cinco estados, os casos de dengue têm aumentado no rastro do recente avanço da Covid-19. Em Minas Gerais, as infecções por dengue cresceram 94% em uma semana. Alagoas, Rio Grande do Sul, Tocantins e cidades do interior paulista também relatam alta.

Especialistas preveem que 2022, já marcado pelos recordes do coronavírus por causa da variante Ômicron, será um ano de maior incidência de dengue. Gestores alertam ainda para o risco de confusão nos diagnósticos, uma vez que há sintomas similares, como febre e dor no corpo.

Depois das chuvas, em menos de uma semana os casos de dengue praticamente dobraram em Minas. Em 20 de janeiro, a Secretaria de Saúde do Estado notificou 178 casos. Já no dia 26, o número subiu para 347: alta de 94%. Já os casos de chikungunya tiveram uma alta ainda maior, de 192%, passando de 27 para 79 no mesmo período. Houve ainda seis casos prováveis de zika no Estado, sem registro de óbito por essas doenças.

Conforme a coordenadora de Vigilância das Arboviroses da pasta, Danielle Capistrano, não está excluído o risco de epidemia no período sazonal da doença, que começou em dezembro e vai até junho. A gestora lembra que o elevado volume de chuvas, aliado à temperatura alta, pode ter aumentado os focos de criadouros do mosquito transmissor, Aedes aegypti.

Segundo ela, Minas teve ciclos epidêmicos de dengue a cada três anos, desde 2010, sendo o último em 2019. Um novo período de alta nos casos pode acontecer em 2022, por isso a necessidade de se manter o alerta. O governo deve repassar R$ 40 milhões aos municípios para ações de controle.

Em Alagoas, os casos subiram de 65 em dezembro para 119 em janeiro.

– Com as chuvas, os mosquitos encontram mais pontos de água parada, onde se reproduzem, o que impacta nos índices de infestação nos municípios, informou a Secretaria de Saúde local.

Como dengue e Covid têm sintomas parecidos, a pasta recomenda que, em caso de febre, dores no corpo e de cabeça, deve ser procurado atendimento médico, pois as duas doenças são graves.

Conforme a pesquisadora da Fiocruz Claudia Codeço, a infecção pela Covid não evita que a pessoa tenha também a dengue, mas representa risco maior para os que estão infectados.

– Esses vírus estão circulando pelos mesmos locais, o que pode gerar dificuldade de diagnóstico e de tratamento oportuno das pessoas, tanto na covid, quanto na dengue. Vai ter impacto em ambas, pois são doenças cuja eficácia no tratamento depende de um diagnóstico o mais oportuno possível, diz.

Ler mais

Especialistas criticam burocracia e avisos dúbios de alguns municípios brasileiros sobre vacinação infantil

Vacinação de crianças em Salvador, onde pais devem assinar um termo de assentimento para que os filhos possam ser imunizados Foto: Agência O Globo/15-01-2022

Mesmo diante da alta dos casos de Covid entre crianças e da maior exposição aos riscos oferecida pela volta às aulas, alguns municípios brasileiros têm criado obstáculos para a vacinação infantil. A exigência de termos de consentimento dos pais, praticada em algumas cidades e sem precedentes no programa brasileiro de imunização, é vista como desnecessária e danosa por especialistas.

Secretarias municipais de Saúde como as de Lagoa Santa (MG), Japeri (RJ), ou até a capital baiana, Salvador, exigem algum termo de responsabilidade dos pais, mesmo eles estando presentes no momento da imunização. Além disso, o próprio Ministério da Saúde publicou recomendação para que as famílias procurem médicos antes da encaminhar os filhos à vacinação.

— O problema é que isso gera dúvida sobre a vacinação em alguns pais. Eles ficam receosos, acabam hesitando, não preenchem e não vacinam. Além disso, atrasa a fila, burocratiza o processo. E uma das maneiras de dificultar alguma coisa é, justamente, criar dúvidas e burocracias, afirma o infectologista e pediatra Filipe da Veiga.

Em Salvador, é exigida a assinatura de um “formulário com ‘termo de assentimento dos pais’”. Caso não sejam conduzidas pelo pai e mãe, as crianças devem chegar aos postos vacinação com o termo “preenchido, com assinatura, e impresso, mais uma cópia do documento de pai e mãe que assinou o formulário”.

Já no site de Lagoa Santa, entre os documentos solicitados, a informação é que “é necessário que o responsável legal assine o termo de consentimento para a imunização disponível nas salas de vacinação”. Procurada, a Secretaria de Saúde da cidade informou que o termo de autorização é solicitado quando o responsável está ausente no momento da vacinação e, para os presentes, “é necessário somente assinar a concordância com a vacinação da criança”.

Medida inédita

Mesmo a exigência de uma autorização quando a criança for levada por uma pessoa que não é seu responsável legal é alvo de críticas. A epidemiologista Carla Domingues, que coordenou o Programa Nacional de Imunizações (PNI) de 2011 a 2019, afirma que essa exigência nunca foi feita para outras vacinas dadas a essa faixa etária.

Ler mais