Chuva e umidade mudam comportamento das pragas em Pernambuco

Com a chegada do período de chuvas em Pernambuco, acende um alerta para o aumento da incidência de pragas urbanas. Com a combinação de umidade, mudanças de temperatura e maior oferta de abrigo e alimento, animais como baratas, ratos, cupins e escorpiões passam a aparecer com mais frequência em residências, condomínios e estabelecimentos comerciais.

Segundo a bióloga, Dalvani Oliveira, embora o problema seja comum em todo o Estado, cada região apresenta características próprias que influenciam o comportamento dessas pragas. “Não existe uma única realidade para Pernambuco. O clima, a vegetação, o nível de urbanização e até a forma de ocupação das cidades fazem com que determinadas pragas sejam mais comuns em algumas regiões do que em outras”, explica.

Na Região Metropolitana do Recife (RMR), por exemplo, a maior concentração urbana, a extensa rede de galerias pluviais e de esgoto, além do grande volume de resíduos produzidos diariamente, favorecem principalmente o aparecimento de baratas e ratos.
“As chuvas acabam desalojando esses animais das galerias subterrâneas, fazendo com que busquem abrigo dentro de casas, apartamentos e comércios. É muito comum observar um aumento das ocorrências logo após períodos de chuva mais intensa”, destaca a especialista.

Já na Zona da Mata, onde a umidade costuma ser elevada durante boa parte do ano, o principal alerta é para os cupins.

“A combinação entre umidade e estruturas de madeira cria um ambiente extremamente favorável para o desenvolvimento das colônias. Muitas vezes, o morador só percebe o problema quando os danos já são significativos em móveis, portas, telhados ou estruturas da residência”, afirma Dalvani.

No Agreste e no Sertão, as altas temperaturas predominantes durante grande parte do ano favorecem a presença de escorpiões, especialmente em áreas com terrenos baldios, acúmulo de entulho e vegetação densa. Após as chuvas, esses animais também tendem a deixar seus esconderijos em busca de locais secos.

Prevenção continua sendo a principal estratégia independentemente da região, algumas medidas simples ajudam a reduzir os riscos de infestação:

  • manter quintais limpos e livres de entulho;
  • evitar acúmulo de lixo orgânico;
  • vedar frestas em portas, janelas e tubulações;
  • inspecionar móveis e estruturas de madeira periodicamente;
  • manter ralos protegidos;
  • evitar acúmulo de caixas de papelão e materiais sem uso.

Dalvani ressalta que a prevenção deve ocorrer durante todo o ano, mas ganha ainda mais importância nos períodos de chuva.

“Muita gente procura ajuda apenas quando encontra uma barata, um rato ou um escorpião dentro de casa. O ideal é agir antes que a infestação aconteça. A prevenção é sempre mais segura, mais eficiente e, muitas vezes, mais econômica”.

Além dos transtornos, a presença dessas pragas pode representar riscos à saúde e provocar prejuízos estruturais aos imóveis. Por isso, a orientação é que qualquer sinal recorrente de infestação seja avaliado por profissionais especializados para identificar a origem do problema e definir a melhor estratégia de controle.