Cid bate continência, Bolsonaro se tranca em cabine do banheiro: a chegada dos réus para depor no STF

A meia hora que antecedeu o início dos depoimentos sobre a trama golpista no Supremo Tribunal Federal (STF) foi de descontração entre os réus, com cumprimentos e saudações militares.

O tenente-coronel Mauro Cid bateu continência para os generais Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministros do governo Jair Bolsonaro (PL) que respondem por crimes contra a democracia.

O ex-presidente Jair Bolsonaro foi um dos primeiros a chegar. Com o plenário ainda vazio, ele foi ao banheiro da Primeira Turma do STF e ficou trancado no box por cerca de dez minutos. Ele via vídeos nas redes sociais antes do início da sessão.

Quando deixou o banheiro, Bolsonaro encontrou um plenário mais cheio. Abraçou Heleno e Paulo Sérgio, deu um tapa nas contas de Cid como cumprimento e conversou com sua equipe de advogados.

Havia apreensão entre os advogados dos réus antes do depoimento. Uma decisão judicial de Alexandre de Moraes proibiu que os acusados conversassem entre si. O próprio ministro, porém, tratou de esclarecer aos advogados na última segunda-feira que cumprimentos não configuravam crime.

O Supremo reforçou a segurança do anexo II-B, conhecido como igrejinha, para a semana de depoimentos dos réus pela trama golpista. O plenário da Primeira Turma tem alunos de Direito, jornalistas e advogados, além de assessores de gabinetes de ministros do STF.

O ministro Alexandre de Moraes, abriu a sessão e conduz os depoimentos dos réus do núcleo central da trama golpista de 2022. O primeiro a falar está sendo o tenente-coronel Mauro Cid.

O início da fase dos depoimentos mostra o rápido avanço do processo rumo ao julgamento, previsto para o segundo semestre deste ano.

Todos os réus serão questionados por Moraes, pelo procurador-geral Paulo Gonet e pelas defesas dos demais acusados. Depois de Cid, os depoimentos devem seguir por ordem alfabética: Alexandre Ramagem (deputado federal e ex-chefe da Abin), Almir Garnier (ex-chefe da Marinha), Anderson Torres (ex-ministro da Justiça), Augusto Heleno (ex-ministro do GSI), Jair Bolsonaro, Paulo Sérgio Nogueira (ex-ministro da Defesa) e Walter Braga Netto (ex-ministro da Casa Civil e da Defesa).