Cinco desafios que aguardam Bolsonaro na Cúpula das Américas

Cinco desafios que aguardam Bolsonaro na Cúpula das Américas

O presidente Jair Bolsonaro (PL) embarca na noite desta quarta-feira (08) para Los Angeles, nos Estados Unidos, onde participará da Cúpula das Américas. Durante o evento, que reúne líderes de governo da maioria dos países do continente, o chefe do Executivo federal precisará lidar com vários desafios. O principal deles será a questão ambiental, tema principal desta Cúpula.

O governo dos EUA, presidido pelo democrata Joe Biden, tem pressionado o Brasil a assinar, no evento, uma declaração com compromissos voltados ao meio ambiente. O governo brasileiro, no entanto, avalia as imposições “complicadas”. Ao longo do mandato, Bolsonaro tem minimizado o desmatamento na Amazônia e pregado que a região “não pega fogo”, pois, segundo ele, a área é “úmida”.

Segundo dados recentes do sistema de alertas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o Deter, o desmatamento na Amazônia passou de 1 mil km² em abril – um recorde para o período.

De acordo com a análise do professor de relações internacionais Mauricio Santoro, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), o governo brasileiro, porém, deve se esquivar de assumir qualquer compromisso na área ambiental e se empenhar na estratégia de “ganhar tempo”, sobretudo em ano eleitoral e em um momento no qual as pesquisas de intenção de voto apontam para uma possível mudança no comando do Executivo do país.

“Não é interessante para o governo brasileiro, neste momento, assumir nenhum tipo de grande compromisso. A expectativa internacional também já está muito centrada nas eleições e nessa possibilidade de uma mudança de presidente. O que pode ser feito é um tipo de declaração conjunta, que sinalize essa vontade de diálogo, de entendimento, mas sem assumir um compromisso formal”, explica Santoro.

O professor ressalta que a questão do desmatamento da Amazônia se tornou um “problema diplomático muito sério”, e acredita que o governo brasileiro deve até mesmo citar o encontro com o empresário Elon Musk, que esteve no país no último mês, como uma saída para exemplificar o “compromisso” com o tema.

Em visita ao Brasil, Musk anunciou uma parceria com o governo brasileiro para monitorar a Região Amazônica por meio da Starlink, rede de satélites do empresário. Não foram divulgadas informações sobre o acordo entre a empresa e o governo, nem em relação ao modo com que o monitoramento será feito.

“É um tema que envolve uma pressão global cada vez maior sobre o Brasil, e, ao mesmo tempo, há muitos elementos no governo Bolsonaro, na sua base de apoio, nas suas políticas públicas, contrários a essas posições internacionais com relação à Amazônia. O que o governo brasileiro quer é a ausência desse tipo de pressão externa, a ausência de um compromisso com relação ao desmatamento. São questões que estão em confronto. São visões de mundo opostas sobre como tratar o tema da Amazônia”, avalia.