
Investigadores que atuam no inquérito dos atos antidemocráticos não têm dúvidas. Os ataques registrados no Distrito Federal no domingo foram organizados cuidadosamente, com método e divisões hierárquicas.
Desde o domingo, os investigadores estão focados no mapeamento da ampla cadeia de bolsonaristas que atuam no “núcleo financeiro” dos atos golpistas. Querem pegar primeiro quem financiou os acampamentos bolsonaristas nos quartéis e permitiu que, no domingo, o grande ataque ao Planalto, ao Congresso e ao STF fosse colocado em prática.
As ordens de prisão desta terça contra Anderson Torres, o ex-ministro da Justiça, e contra o ex-comandante da PM no DF Fábio Vieira, avançam por outra frente. Além do núcleo financeiro, é preciso mapear os integrantes do “núcleo político”, as autoridades que, ainda sob Bolsonaro no Planalto, alimentaram os acampamentos de promessas golpistas e estimularam os ataques.
Torres e Vieira estavam encarregados do esquema de segurança que permitiu aos terroristas avançarem sem preocupação pela Praça dos Três Poderes. Ao anunciar a extensão das investigações do STF, o ministro Alexandre de Moraes foi claro: serão punidos todos que participaram, estimularam e facilitaram os ataques do domingo.
Por ação ou omissão dolosa, a PGR pediu nesta terça ao STF que investigue, além de Torres e Vieira, o governador afastado Ibaneis Rocha e o ex-secretário interino da PM Fernando Oliveira. O roteiro delineado pelo STF e pelas autoridades do governo — Flávio Dino anunciou ontem que 50 novas prisões serão solicitadas, incluindo a cadeia de comando do golpismo — sugere que todos que incentivaram de alguma forma a barbárie serão chamados a pagar.
Jair Bolsonaro, como provam fartamente os vídeos gravados por golpistas durante os ataques, seria o grande beneficiário do golpe frustrado no domingo. O plano era destruir o Legislativo e o Judiciário, expulsar o presidente eleito do Planalto e recolocar Bolsonaro no poder, sob a proteção de militares golpistas das Forças Armadas.
Nada disso deu certo, mas o ex-presidente, que sempre alimentou a imaginação dos golpistas com promessas, está na rota das investigações. A dúvida, no momento, é se a conta chegará para Bolsonaro, ou se Torres, o “peixe pequeno” da história, vai pagar sozinho.



