Como obter a licença de Piloto Privado de Avião

PPAV – Aerodinâmica e Teoria de Voo – Unidade 14

Por Cmte Hiltinho (*)

Continuando…

14 – Voo em Curva – para se ter uma ideia do mecanismo da curva de um avião, convém imaginar o movimento circular de um objeto pendurado por um cabo de aço. Ao girar, existem unicamente duas forças atuando sobre esse objeto:

1ª – Peso do objeto – ocorre no sentido vertical, exercendo força para baixo, devido a gravidade; e,

2ª – Tração do cabo – o cabo inclinado, exercendo uma força oposta para cima e na diagonal, em direção ao centro do círculo. Pois bem, o mecanismo da curva de um avião é idêntico, com a diferença de que inexiste qualquer cabo sustentando o avião. O piloto, então, deve providenciar a força que substitua a tração produzida pelo referido cabo. Para isto, é necessário inclinar as asas do avião e aumentar o ângulo de ataque, a fim de produzir uma sustentação igual à tração do cabo de aço. A força de sustentação numa curva deve ser maior que o peso do avião. Ela o empurra para cima e, ao mesmo tempo, impulsiona-o para dentro do círculo, como se fossem duas forças distintas. A primeira contrabalanceia o peso, e a segunda, que é a força centrípeta, age na horizontal empurrando o avião na lateral, permitindo que ele faça a curva. De modo oposto, e com a mesma intensidade da força centrípeta, age a força centrífuga, também conhecida como força inercial, havendo um equilíbrio de forças, permitindo que o avião se mantenha em curva.

As curvas precisam ser bem coordenadas, feitas por pilotos experientes, de modo a evitar a ocorrência dos erros de pilotagem mais comuns no voo:

14.1 – Glissada – é provocada por uma inclinação exagerada das asas. Ocorre quando a aeronave não está em voo coordenado, ou seja, está voando de forma ineficiente. Neste caso, a componente vertical da sustentação é insuficiente para suportar o peso do avião, o qual tende a escorregar para dentro da curva, perdendo altitude. Pilotos inexperientes ou desatentos falham na coordenação da aeronave com o leme e frequentemente entram em glissagem durante as curvas. Contudo, existe glissagem intencional, com atitude deliberada pelo piloto.

14.2 – Derrapagem – é exatamente o contrário de glissagem, isto é, o avião está escorregando para fora da curva. Ocorre devido a inclinação insuficiente das asas, provocando uma força centrípeta insuficiente, ou seja, de intensidade menor que a força centrífuga, fazendo a aeronave escapar para fora do raio da curva. Ocorre também quando se pisa um dos pedais do lema de direção sem antes inclinar as asas. A fim de corrigir esta guinada adversa o piloto necessita coordenar o voo, mantendo controle adequado da inclinação das asas com o leme de direção. Para isto, existe um instrumento no painel denominado “Turn Coordinator” (Indicador de Curva), que orienta o piloto no sentido de manter o voo coordenado.

(*) Hilton Batista de Oliveira (Hiltinho) é Engenheiro Civil, aposentado do Banco do Brasil e Piloto Privado de Avião. Escreve suas crônicas todas as segundas-feiras para o Blog PE Notícias.