Como obter a licença de Piloto Privado de Avião

PPAV – Aerodinâmica e Teoria de Voo – Unidade 15

Por Cmte Hiltinho (*)

Continuando…

15 – Decolagem e Pouso – são duas situações que envolvem atitudes comportamentais do piloto e, principalmente, da aeronave, situações opostas entre si, como veremos mais abaixo. A decolagem e o pouso são considerados os momentos mais críticos do voo. Segundo informações do CENIPA (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), cerca de 80% dos acidentes aéreos no Brasil ocorrem no pouco ou na decolagem dos aviões.

15.1 – Decolagem – é a fase que vai desde a aceleração do avião na pista até a chegada à altitude de cruzeiro, isto é, abrange também a fase de subida. Ela é feita com a potência máxima, para aumentar a aceleração. Inicialmente, o recuo da hélice é máximo, e também a tração. O avião inicia a corrida de decolagem e começa a ganhar velocidade. À medida que aumenta a velocidade, o recuo da hélice e a tração diminuem, mas a velocidade de rotação da hélice aumenta. Cada aeronave, em função do seu peso, da localização da asa, do trem do pouso, das características do solo, das condições atmosféricas e das instruções do seu Manual de Voo, exige procedimentos distintos por parte do piloto.

15.1.1 – Condições ideais de decolagem – as condições mais favoráveis para a decolagem são: “baixa altitude do aeródromo”, “pista em declive”, “baixa temperatura”, “vento de proa” e “ar seco”. Cada um desses itens influencia diretamente no maior ou menor espaço utilizado na corrida de decolagem.

15.2 – Pouso – os procedimentos de pouso estão atrelados a uma série de informações repassadas ao piloto a respeito do aeródromo de destino, tais como: “altitude do aeródromo”, “comprimento, condições e tipo da pista”, “temperatura ambiente”, “direção e velocidade dos ventos”, etc. Antes do pouso, inicia-se a rampa de descida, que é aquela em que o avião deixa o nível de voo e começa a perder altitude, normalmente de forma constante e programada, para chegar ao aeródromo nem muito alto, nem muito baixo. Em seguida vem a fase de aproximação, iniciada a pequena distância do aeródromo, onde a aeronave deve estar alinhada com o eixo da pista e totalmente configurada para o pouco. O piloto deve fazer o avião tocar o solo com a velocidade ideal para aquele tipo de aeronave, cuidando para que ela não entre em estol. Se isto ocorrer, se o avião estolar, é desastre na certa.

15.2.1 – Condições ideais de pouso – as condições mais favoráveis ao pouso são: “baixa altitude do aeródromo”, “pista em aclive”, “baixa temperatura”, “vento de proa” e “ar seco”. Os “flaps” permitem aos aviões aproximar com maiores ângulos de planeio e menores velocidades, sendo, portanto, muito úteis, principalmente em pistas curtas. Há ainda o recurso de utilização dos “slots” e “slats” para melhorar a performance do pouso, porém obrigam o avião a levantar exageradamente o nariz.

(*) Hilton Batista de Oliveira (Hiltinho) é Engenheiro Civil, aposentado do Banco do Brasil e Piloto Privado de Avião. Escreve suas crônicas todas as segundas-feiras para o Blog PE Notícias.