Concessão Metrô do Recife: Primeiro trem sai de Belo Horizonte para evitar colapso do metrô

Por Roberta Soares/JC

O primeiro dos 11 trens que serão adquiridos para reforçar o sistema metroferroviário de Pernambuco partiu de Belo Horizonte com destino ao Recife na última sexta-feira (08). A composição, que faz parte de uma estratégia emergencial para evitar o colapso parcial do Metrô do Recife, chegará à capital pernambucana totalmente restaurada, adesivada e em plenas condições de uso, segundo garantias da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU).

A previsão é que o primeiro trem desembarque no Estado entre os dias 15 e 19 de maio, entrando em operação comercial na Linha Sul do Metrô do Recife, que está sob risco de ter a operação suspensa por falta de frota em abril de 2027 já no mês de junho. A Linha Sul transporta, atualmente, aproximadamente 60 mil pessoas por dia e liga a área Sul do Grande Recife ao centro da capital, fazendo integração com os ramais da Linha Centro, a de maior demanda do sistema, em média 120 mil passageiros diários.

Como explicou a direção e o corpo técnico da CBTU, a decisão de adquirir composições do Metrô de Belo Horizonte (Metrô BH) ocorreu após uma análise rigorosa da Companhia sobre frotas disponíveis em outros estados. Opções da CPTM, em São Paulo, e da Trensurb, em Porto Alegre, foram descartadas por inviabilidade técnica e financeira. No caso de São Paulo, os 11 trens oferecidos estavam parados há cinco anos, apresentando profunda degradação e sendo vendidos apenas como sucata. Já as unidades do Rio Grande do Sul exigiriam investimentos de R$ 32,5 milhões e até 38 meses para recuperação, prazo que não atendia à urgência do Recife.

Diferente das alternativas rejeitadas, os trens mineiros (modelo TE 10) estão em plena operação e possuem tecnologia de tração idêntica à utilizada em Pernambuco, o que facilita a manutenção e o treinamento das equipes. A aquisição das seis primeiras unidades envolve um investimento de R$ 60 milhões via Novo PAC, sendo R$ 10 milhões por composição, valor que cobre não apenas o material rodante, mas também o transporte, o fornecimento de peças sobressalentes e seis meses de manutenção assistida. Os outros cinco trens do plano de 11 unidades também deverão ser adquiridos junto ao sistema mineiro. Pelo menos essa é a expectativa por enquanto.

As garantias de boa operação e explicações para a escolha da frota foram reforçadas pela diretora Técnica e de Administração e Finanças da CBTU, Adriana Lins. “Devido à falta de investimento, há muitos anos, nossa frota tornou-se ineficiente, com muitos trens deixando de operar. Chegamos a um momento em que a projeção para funcionamento da linha Sul, em Recife, se tornou alarmante, sendo necessário tomar uma providência de reposição, a curtíssimo prazo, de material rodante em condições operacionais”, explicou.