Coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro critica jantar de Lula com Moraes: ‘imparcialidade’

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Estadão

O senador Rogério Marinho criticou a reunião entre Lula e Davi Alcolumbre na casa do ministro Alexandre de Moraes, do STF, alegando que acordos políticos não devem ser discutidos em residências de magistrados. O encontro, mediado por Moraes, visou discutir a relação entre o governo e o Congresso após a rejeição de Jorge Messias ao STF. Lula e Alcolumbre debateram alianças futuras e a sucessão das presidências da Câmara e do Senado, com nova reunião agendada para a semana seguinte.

O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência, criticou neste domingo (09), a reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), na casa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

O ministro mediou um jantar entre Lula e Alcolumbre, em negociação que pressupõe vitória do petista nas urnas. Em nota divulgada nas redes sociais, Marinho afirmou que a articulação política entre os Poderes faz parte da democracia, mas disse considerar inadequado que acordos políticos sejam discutidos na residência de um ministro do STF.

“Quando acordos políticos passam a ser costurados na sala de jantar de ministros do STF, ultrapassa-se uma linha perigosa”, afirmou.

O senador também questionou o papel de Moraes na articulação, declarando que “ministro do Supremo não é articulador partidário, fiador de acordos políticos nem operador de sucessões no Congresso”.

Ainda na nota, Marinho declarou que a participação de magistrados em articulações políticas envolvendo nomes com atuação em disputas eleitorais pode levantar questionamentos sobre a separação dos Poderes e a imparcialidade.

“Quando magistrados envolvidos em inquéritos de enorme impacto político e eleitoral participam dessas articulações, a imparcialidade e a separação dos Poderes ficam sob suspeita”, disse Marinho.

O jantar ocorreu na última terça-feira (04), na casa do ministro Alexandre de Moraes, e também teve a participação do ministro Cristiano Zanin. O encontro foi marcado, inicialmente, por uma espécie de “acerto de contas” entre Lula e Alcolumbre após a derrota do governo na votação que rejeitou a indicação de Jorge Messias para uma vaga no STF.

Lula demonstrou contrariedade com a atuação de Alcolumbre na votação e avaliou que o senador havia contribuído para a rejeição de Messias. Alcolumbre, por sua vez, reclamou da relação com o governo e afirmou estar cansado de atuar como se fosse líder do Planalto no Senado para arregimentar votos da base aliada.

Ao longo do jantar, os dois também discutiram a relação entre o governo e o Congresso e possíveis acordos para a próxima legislatura. A construção de uma nova aliança com partidos do Centrão, tendo em vista a composição do Congresso após as eleições de outubro, foi um dos temas da conversa.

Nesse contexto, está a sucessão das presidências da Câmara e do Senado em 2027. Lula já sinalizou apoio à recondução de Hugo Motta (Republicanos-PB) à presidência da Câmara e pretende dar respaldo à tentativa de Alcolumbre de permanecer no comando do Senado, caso o petista seja reeleito e o senador colabore com o Palácio do Planalto.

Ao fim do encontro, Lula e Alcolumbre combinaram uma nova reunião para a semana seguinte, quando o Congresso retomaria os trabalhos, para discutir votações de interesse do governo.