Cresce o número de pessoas que moram sozinhas em Pernambuco

Os novos dados da Pnad Contínua 2025, divulgados pelo IBGE, revelam que o fenômeno das pessoas que moram sozinhas tornou-se um dos principais motores das transformações demográficas no Brasil e em Pernambuco. No estado pernambucano, o número de unidades domésticas unipessoais registrou um salto expressivo de 81% no intervalo de dez anos, alcançando a marca de 732 mil pessoas vivendo sós em 2025.

O crescimento é um fator determinante para a redução na média de moradores por domicílio no Estado, que caiu de 2,7 em 2024 para 2,6 no último ano. O perfil de quem ocupa essas moradias solitárias em Pernambuco reflete uma tendência observada em todo o País: o grupo é composto majoritariamente por homens adultos e mulheres idosas. Em âmbito nacional, o avanço também é notável.

As unidades compostas por apenas um morador saltaram de 12,2% para 19,7% do total de domicílios brasileiros entre 2016 e 2025, o que representa uma adição de 8,2 milhões de pessoas vivendo sozinhas no período. Enquanto 56,6% dos homens que moram sós estão na faixa de 30 a 59 anos, 56,5% das mulheres nessa mesma condição têm 60 anos ou mais.

Essa mudança no arranjo familiar acompanha o envelhecimento populacional e a redução do número de filhos. Em Pernambuco, a queda de 13% no percentual de moradores na condição de filhos apresenta uma correlação direta com o encolhimento do tamanho das famílias e o aumento das residências ocupadas por uma única pessoa.

A estimativa é que Pernambuco conte com 9,5 milhões de moradores. A grande maioria da população vive em casas (86,5%), enquanto 13% residem em apartamentos e 0,1% em moradias precárias, como cortiços. Houve uma mudança relevante nas condições de ocupação no último ano: o número de imóveis quitados recuou 3,64 pontos percentuais, enquanto os aluguéis subiram 2,18 p.p. e os financiamentos aumentaram 1,73 p.p.. Entre quem já possui imóvel próprio, a formalização avançou levemente, com 83,4% dos proprietários detendo a documentação comprobatória.

Os indicadores de infraestrutura em Pernambuco apresentaram variações mistas entre 2024 e 2025:Esgotamento Sanitário: O atendimento por rede geral ou pluvial cresceu de 50,74% para 54,25%. Em contrapartida, o uso de fossas sépticas não ligadas à rede caiu de 19,40% para 12,83%. Banheiros: Houve um avanço na presença de banheiros de uso exclusivo, que agora equipam 97,2% dos domicílios do estado.

O acesso à água canalizada sofreu uma queda discreta, passando de 94% para 93,6%. Quanto ao lixo, 81,98% dos moradores contam com coleta direta. No entanto, a prática de queimar resíduos na propriedade subiu para 11,56% em 2025.

A pesquisa destaca o envelhecimento e a mudança na composição étnica do país. No Brasil, a parcela da população com menos de 30 anos caiu de 49,9% em 2012 para 41,4% em 2025. Simultaneamente, o percentual de idosos (60 anos ou mais) subiu para 16,6%. Quanto à autodeclaração de cor ou raça, o percentual de brasileiros que se declaram brancos caiu para 42,6%. Já a população que se declara preta cresceu para 10,4% em 2025. No âmbito da chefia familiar em Pernambuco, consolidou-se uma inversão histórica de gênero, com as mulheres sendo majoritariamente apontadas como as pessoas de referência para os moradores.