Criminalistas veem pedido de Cristiano Zanin à Polícia Federal como atípico e dizem que medida contorna Mendonça e Fachin

https://www.estadao.com.br/resizer/v2/PHWQWPE54ZAR7KM5XFGLN5W374.jpg?quality=80&auth=4f74a0ecce67d6295057df858f9b01984519388a3fc43d8df6317f43175dac9b&width=347&height=195&smart=true

Estadão

A decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), de requisitar diretamente à Polícia Federal uma cópia dos dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro foge do procedimento considerado mais convencional e expõe o grau de desconfiança entre os integrantes da Corte.

O ministro Gilmar Mendes fez o mesmo pedido à direção-geral da Polícia Federal, sem, contudo, estabelecer um prazo para a entrega. Na sexta-feira, o decano da Corte já havia solicitado a Fachin que tomasse providências para que todos os magistrados tivessem acesso ao material.

Criminalistas ouvidos pelo Estadão consideram defensável que os ministros tenha acesso ao material, mas questionam a forma como Zanin requisitou, já que os dados estão vinculados a uma investigação sob relatoria de André Mendonça. Além disso, o presidente da Corte, Edson Fachin, passou a conduzir, em procedimentos próprios, a crise entre ministros.

Zanin determinou neste domingo (13), que a PF entregue ao seu gabinete, até as 23h, uma cópia da mídia do aparelho apreendido com Vorcaro na Operação Compliance Zero. O ministro afirmou que precisar conhecer o material para formar sua convicção antes da sessão extraordinária de terça-feira, 15, quando o plenário analisará o relatório sobre as mensagens enviadas pelo dono do Banco Master ao ministro Alexandre de Moraes. Zanin também comunicou Fachin sobre a requisição.

O movimento ocorreu no mesmo dia em que Mendonça defendeu manter sob sigilo a íntegra dos dados do celular e afirmou que a inclusão de novos elementos poderia “tumultuar” o julgamento. A solicitação de Gilmar Mendes foi feita horas após o ofício do colega Zanin.

Nos últimos dias, Fachin passou a organizar, a partir da Presidência da Corte, procedimentos relacionados à crise aberta entre ministros.