
Uma ala do Supremo Tribunal Federal (STF) fez chegar ao ministro Alexandre de Moraes que ele deveria pautar o mais breve possível as duas ações diretas de inconstitucionalidade (ADI) que questionam a Lei da Dosimetria, que diminuiu as penas dos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.
Em maio, Moraes suspendeu em decisão individual a aplicação do novo cálculo das sanções para antigos apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, pediu parecer da Procuradoria-Geral da República, mas não deu qualquer sinalização de quando submeteria o tema a Plenário.
Se a ideia for levada adiante, o julgamento seria mais um aceno ao bolsonarismo no momento em que a Corte se encontra acuada pelo desgaste de imagem. Premido pelo Senado eleito no primeiro turno e amplamente favorável a processos de impeachment contra integrantes do Judiciário, o STF tem tomado decisões que tentam reconstruir pontes com a nova classe política eleita.
Decano do Supremo, o ministro Gilmar Mendes, por exemplo, arquivou o pedido de investigação contra o deputado e candidato a vice-presidente Alberto Gaspar (PL-AL), Moraes, por sua vez, autorizou a retomada de visitas a Jair Bolsonaro, preso em prisão domiciliar por liderar uma tentativa de golpe de Estado.
Até o momento Moraes não deu resposta aos apelos para pautar a dosimetria e se viu mais uma vez rifado pelo presidente Lula, que na quinta-feira (15), durante sabatina na TV Globo, defendeu que não só o magistrado fosse investigado, como também o ex-aliado Dias Toffoli e os ministros André Mendonça, Nunes Marques, este último relator da tormentosa revisão criminal de Jair Bolsonaro. “Muito provavelmente a questão da dosimetria também vai ser trazida a debate, não só na revisão do Bolsonaro. É uma temática que não vai passar ao largo dessa apreciação. Passado o período eleitoral, vamos enfrentar todas as pautas”, disse Nunes Marques.
Em outra frente, integrantes do tribunal têm se reunido com interlocutores do senador Flávio Bolsonaro para discutir a relação de um eventual governo do Zero Um com o Judiciário. Embora o coordenador da campanha bolsonarista Rogério Marinho tenha dito após encontros no STF que o andamento de um processo de impeachment contra Moraes parece inegociável, a ideia dos magistrados é negociar por fora com outros bolsonaristas, e a partir daí analisar se Marinho tem ou não ascendência suficiente sobre a nova bancada eleita para dar como certo o destino do ministro que comandou o julgamento da chamada trama golpista.





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