Davi Alcolumbre diz que rusgas foram ignoradas em conversa com Lula e que diálogo está restabelecido

https://veja.abril.com.br/wp-content/uploads/2026/04/AFP__20260414__A7TG9JF__v1__HighRes__BrazilGovernmentPolitics.jpg?quality=70&strip=info&w=680&h=453&crop=1

Horas após se reunir com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela segunda vez em um intervalo curto de tempo, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, afirmou que rusgas do passado entre eles foram ignoradas durante o encontro e que o diálogo foi restabelecido.

“Não falamos nada do passado”, disse Alcolumbre ao ser questionado por jornalistas se havia tratado com o petista sobre a indicação do governo para o STF.

Ambos viviam uma crise na relação desde novembro do ano passado, o que abriu margem para que o amapaense impusesse derrotas amargas ao Palácio do Planalto nos últimos meses, entre elas, a rejeição do nome de Jorge Messias para a Corte.

O chefe do Congresso disse ainda que teve duas conversas produtivas com o presidente nas últimas semanas.

“Teve uma reunião institucional muito importante para a democracia porque o presidente do Congresso precisa ter o diálogo aberto com o presidente do Brasil e esse diálogo foi restabelecido tanto que já tivemos duas reuniões muito boas e produtivas pensando no Brasil. Esse é o meu papel e eu creio que é o dele também”, afirmou.

Com a segunda conversa, a expectativa é que os temas de interesse do Planalto passem a receber outro tratamento dentro do Legislativo.

A retomada do diálogo entre Lula e Alcolumbre começou na semana passada, durante um jantar na casa do ministro Alexandre de Moraes, do STF.

O que há por trás da reaproximação?

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, retomaram o diálogo nesta quarta-feira (12), em uma reunião no Palácio da Alvorada, depois de semanas de afastamento provocadas pela crise em torno da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal. A reaproximação, porém, está longe de representar o fim das desconfianças entre os dois lados, segundo avaliação de Robson Bonin.

Segundo Bonin, a retomada do contato atende a diversos interesses. O governo precisa aprovar pautas consideradas prioritárias, enquanto o Congresso sofre pressão para destravar matérias importantes para setores da economia e evitar que medidas provisórias percam validade.

O que mudou depois da crise pela indicação ao STF?

Na prática, pouco mudou na origem do conflito. Alcolumbre afirmou, após o encontro, que os dois não trataram do passado e que o ‘diálogo foi restabelecido’. Para Bonin, a estratégia é justamente deixar a crise de lado e concentrar esforços nas questões que interessam aos dois Poderes.

“O que há é uma tentativa de ignorar o bode na sala e continuar discutindo questões”.

A reunião foi apresentada pelo ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, como uma oportunidade para reconstruir a interlocução entre Executivo e Legislativo. Segundo ele, o encontro serviu para discutir prioridades do governo e alinhar a agenda de votações do Congresso. Guimarães ocupa atualmente o cargo de ministro da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República.

Quais pautas pressionam pela reaproximação?

Entre os assuntos citados estão a PEC que trata do fim da escala 6×1, uma medida provisória relacionada à chamada “taxa das blusinhas” e a PEC da Segurança Pública. Para Bonin, o peso dessas matérias ajuda a explicar por que Executivo e Legislativo têm interesse em retomar uma relação funcional.

O movimento também ocorre sob pressão de setores importantes da economia, segundo o colunista. A avaliação é que temas considerados relevantes estão paralisados no Congresso justamente quando algumas medidas provisórias correm risco de perder validade.

A eleição de 2026 explica a paz entre Lula e Alcolumbre?

Para Bonin, o calendário eleitoral é um dos fatores centrais da reaproximação. A possibilidade de uma vitória de Lula altera a expectativa de poder em Brasília e pode influenciar os interesses políticos de Alcolumbre, que deverá precisar do apoio do governo para uma eventual nova disputa pelo comando do Senado.

“Tem uma eleição chegando e se o presidente Lula vencer? A expectativa de poder faz com que tudo mude”.

Alcolumbre também precisa considerar o resultado da eleição para o Senado. Uma expansão da direita na Casa poderia dificultar sua situação política, especialmente por sua atuação na condução de pedidos de impeachment contra ministros do Supremo.

Por que a trégua ainda é marcada pela desconfiança?

Apesar da reaproximação pública, Bonin compara o momento a uma “paz anunciada” entre adversários que ainda mantêm desconfianças. Para ele, os interesses institucionais e eleitorais criaram uma necessidade de convivência, mas não resolveram as razões que levaram ao afastamento.

“É uma paz anunciada, mas entremeada por muita desconfiança de ambos os lados”.

Bonin também chamou atenção para outro fator de instabilidade: as investigações conduzidas pela Polícia Federal. Segundo ele, a atuação da corporação foi um dos elementos que contribuíram para o distanciamento entre Lula e Alcolumbre e pode voltar a produzir efeitos sobre a relação entre os dois.