
A deputada estadual Dani Portela (PSol) aguarda apenas a janela partidária abrir, em março de 2026, para se filiar ao PT. Mas diante do racha escancarado entre a parlamentar e sua atual sigla, aliados de Portela temem que a associação aos petistas seja a oportunidade que o PSol espera para pedir o mandato, usando o argumento de infidelidade partidária.
Com direito a vestido vermelho, Dani esteve ao lado dos deputados petistas Doriel Barros e Rosa Amorim nos compromissos do presidente Lula (PT) em Pernambuco na última quinta-feira, um dia depois da publicação da nota do PSol que levou o racha à mídia. Foi o maior aceno que fez à sua futura filiação até o momento.
A deputada evita fazer qualquer declaração direta a uma troca de partido justamente para não fundamentar um entendimento de infidelidade a sua atual legenda, visto que sua suplente na Assembleia Legislativa (Alepe) é a vereadora do Recife Jô Cavalcanti. Ex-deputada estadual pelo coletivo Juntas e pré-candidata ao Senado em 2026, ela integra a Revolução Solidária – corrente majoritária do PSol.
A tendência, que tem a direção estadual do partido com o presidente Samuel Herculano, está por trás da nota publicada, na última quarta-feira, acusando Dani de não participar da vida interna do partido, de construir alianças envolvendo deputados do PL na Alepe, e de exonerar pessoas de seu mandato que teriam se negado a trocar o PSol pelo PT. A corrente Subverta, do pré-candidato a governador Ivan Moraes, também referendou a nota.
Uma carta assinada por três correntes minoritárias da sigla acusou a Revolução Solidária de elaborar a nota sem o consentimento dos grupos de oposição no PSol de Pernambuco, que possuem 15 das 29 cadeiras na diretoria.
A oposição afirmou, ainda, que a majoritária estaria “instrumentalizando o partido” para atender aos seus próprios interesses, e de se aproveitar das acusações de contratação de empresa fantasma com verbas indenizatórias contra Dani Portela para persegui-la, sem oferecer a oportunidade de defesa para a parlamentar.



