
Por Roberta Soares/JC
De patinhos feios a cisnes. Apesar do exagero, essa é a transformação que está sendo planejada para os 26 Terminais Integrados de ônibus e metrô da Região Metropolitana do Recife. Após a gestão privada das unidades ter completado três anos, organizando e, principalmente, moralizando os espaços públicos, a meta agora é ir além da mobilidade, convertendo os terminais em verdadeiros centros de serviço, conveniência e, também, em pontos de engajamento socioambiental.
Para isso, a Nova Mobi Pernambuco, concessionária responsável pela gestão dos TIs e das 44 estações de BRT, deu um passo estratégico contratando uma empresa de consultoria para uma reavaliação completa e aprimoramento da ocupação comercial desses espaços públicos. Vale destacar que a identificação do potencial comercial e social dos terminais era um dos pontos exigidos na licitação pública para a concessão privada dos TIs e estações.
Desde janeiro de 2022, os terminais e estações de BRT estão sob gestão privada em um contrato de Parceria Público-Privada (PPP) de 35 anos, que prevê investimentos de R$ 113 milhões para modernização e requalificação da infraestrutura. Mas, pelo menos por enquanto, a estratégia de vocação comercial está sendo estudada apenas para os terminais, já que as estações de BRT seguem sem refrigeração, inseguras e muitas sem operação.
A empresa contratada para encarar o desafio, já que, até o início da gestão privada, os TIs sempre foram vistos como redutos de insegurança, desconforto, vandalismo e sujeira, foi a LMS Gestão de Empreendimentos, que terá a missão de requalificar as estruturas dos terminais e estações do Grande Recife.
A atuação da LMS compreende um levantamento técnico dos pontos comerciais existentes, a identificação de novos espaços com potencial de exploração e a proposição de soluções para melhorar o uso desses ambientes. Em paralelo, a empresa já iniciou a prospecção e formalização de novas operações comerciais, com o objetivo de valorizar os terminais como espaços de serviço e conveniência para a população.
“A Nova Mobi já tem uma pesquisa inicial com o perfil de cada terminal, o que será fundamental para a LMS indicar o mix adequado de operações. A meta é trazer operações que sejam desejadas pelo passageiro, proporcionando conveniência e comodidade, principalmente na volta para casa, para que não precise parar em outro lugar, por exemplo”, explica Eduardo Lemos, CEO da LMS.
Entre os serviços e produtos que podem ser implantados nos TIs estão padarias, pequenas compras, minimercados, academias e lotéricas, adaptados ao perfil de renda e às necessidades dos usuários dos espaços, sejam ou não passageiros. “Alguns terminais com bom adensamento no entorno, inclusive, podem até abrigar academias, facilitando o acesso também para a comunidade local”, diz Eduardo Lemos.
Embora os terminais sejam espaços de passagem, também representam pontos de conexão entre mobilidade, economia e vida cotidiana. Essa é a leitura que vai predominar no diagnóstico, que deverá ser concluído em até cinco meses. “O desafio é harmonizar o uso comercial com a dinâmica real de cada local, organizando o comércio de forma mais eficiente, segura e acessível”, explica Eduardo Lemos.
A proposta é ir além da simples ocupação dos espaços dos TIs, buscando desenvolver um modelo comercial sustentável para empreendedores, gestão pública e população. Algumas cidades brasileiras, com destaque principalmente para São Paulo (SP), mas também Belo Horizonte (MG) e outras, já transformaram os terminais de ônibus em verdadeiros complexos de atração de demanda, mudando completamente a funcionalidade dos espaços.
A LMS diz que fará visitas técnicas, avaliação da concorrência, mapeamento de espaços vagos ou subutilizados, definição de parâmetros para locação e recomendações para melhoria da experiência do usuário. A empresa, com mais de 20 anos de experiência em desenvolvimento e gestão de centros comerciais, como shoppings e outlets, agora expande sua atuação para o setor de mobilidade urbana.
Paralelamente à modernização comercial, os terminais do Grande Recife também estão recebendo uma parceria inovadora entre a Ambipar, a Nova Mobi Pernambuco e o Grupo Heineken com o Heineken Spin, programa que estimula o descarte correto de resíduos em troca de Tricoins, que são pontos que podem ser trocados por benefícios.
A iniciativa já mobilizou mais de 500 mil passageiros, garantindo uma expressiva mitigação de consumo de recursos naturais. Os materiais mais coletados foram PET, alumínio e vidro, com destaque para os Terminais Integrados Caxangá e TIP, ambos localizados na Zona Oeste do Recife.
A iniciativa conta com a participação ativa de cooperativas locais, que integram a cadeia da reciclagem e contribuem para a geração de renda e inclusão socioambiental de centenas de famílias. Além da logística reversa, o projeto incorporou iniciativas sociais, como a implantação de pontos de coleta de roupas e calçados, ampliando o papel dos terminais como centros de cidadania e responsabilidade socioambiental.





