
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), reduziu de cinco para dois dias o prazo que a Polícia Federal terá para ouvir os envolvidos no caso do Banco Master e do seu dono, o banqueiro Daniel Vorcaro. Inicialmente, os depoimentos seriam colhidos entre os dias 23 e 28 de janeiro, mas após a decisão desta sexta-feira, 16, esse prazo deverá ficar um pouco mais curto.
A decisão tomada pelo ministro atravessa outros atritos com a Polícia Federal nesse caso. Na última quinta-feira (15), ele indicou uma lista, com quatro peritos da corporação, para analisarem os bens apreendidos na operação da última quarta-feira, que apreendeu carros de luxo, dinheiro vivo e armas com investigados do caso. Essa escolha por peritos específicos não é usual e normalmente é feita pela própria chefia do inquérito.
Em uma decisão dada na quarta, Toffoli cobrou publicamente a PF. Ele disse que a corporação atrasou a operação da última quarta, que, segundo ele, deveria ter acontecido na terça-feira (13). “Eventual frustração do cumprimento das medidas requeridas decorre da inércia exclusiva da Polícia Federal, inclusive diante da inobservância expressa e deliberada de decisão por mim proferida na data de 12/01/2026, que determinou a deflagração da presente fase no prazo de 24 horas”, diz trecho da decisão de quarta.
A PF não respondeu publicamente ao ministro, mas apresentou, nos autos do inquérito, um ofício sigiloso, afirmando que precisou de mais um dia para fazer o planejamento operacional da força-tarefa. Foram cumpridos, ao todo, 42 mandados de busca e apreensão em cinco estados brasileiros, São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro.
A reportagem questionou a Polícia Federal sobre a redução do prazo de oitiva dos envolvidos com o caso do Banco Master, mas não obteve retorno até o momento. O inquérito, que está sob relatoria de Toffoli no STF, tramita em segredo de Justiça.



