
Um relatório da Polícia Federal aponta a hipótese de que o ministro do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, seria o “beneficiário final” ou o “proprietário de fato” do Fundo de Investimento em Participações Arleen, que teria recebido ao menos R$ 35 milhões do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
As informações foram reveladas pela revista Piauí em reportagem publicada na última quinta-feira (10).
O documento da PF aponta que, por meio de uma operação envolvendo a empresa Egide I, os recursos do fundo foram transferidos para uma estrutura registrada nas Ilhas Virgens Britânicas, território conhecido como paraíso fiscal no Caribe.
O fundo Arleen era sócio do Tayayá, resort ligado a Toffoli e à família do ministro em Ribeirão Claro, no interior do Paraná. De acordo com o relatório, o fundo pertencia a Vorcaro e, em fevereiro de 2025, passou para o empresário Alberto Leite, amigo de Toffoli e dono da empresa de segurança FS Security.
No mês seguinte à aquisição, segundo a PF, Leite registrou a Egide I nas Ilhas Virgens Britânicas e o regulamento do Arleen foi alterado para permitir investimentos no exterior. Em novembro, o fundo começou a se desfazer de suas cotas e, em dezembro, transferiu cerca de R$ 34 milhões para a empresa no exterior.
Para a PF, “pode-se afirmar que todo o ativo do Arleen […] é transferido para a Egide I Hodling na liquidação do fundo”.
Ao analisar a movimentação, os investigadores apontaram que havia elementos que, considerados em conjunto, indicariam a possibilidade de Toffoli ter figurado como beneficiário final ou proprietário de fato do Arleen e de seus ativos.
O relatório também menciona a possibilidade do uso de “interpostas pessoas e estruturas no exterior”, citando as movimentações envolvendo a Egide I Holding, nas Ilhas Virgens Britânicas.
Pagamentos de Vorcaro
O relatório da PF também mostra que Vorcaro acompanhava de perto os pagamentos destinados ao Arleen. Em agosto de 2024, segundo os investigadores, o banqueiro demonstrou preocupação com o atraso de transferências e acionou operadores próximos, entre eles o cunhado Fabiano Zettel e o ex-ministro Fábio Faria.
Na ocasião, Vorcaro também teria enviado uma mensagem diretamente a Toffoli para justificar o atraso nos pagamentos.
Em novembro de 2025, após a decisão relacionada ao caso da usina Alcídia, Vorcaro passou a discutir sua saída do Tayayá e, consequentemente, sua desvinculação do Arleen.
Em uma mensagem enviada a Zettel, o banqueiro afirmou que o “FIP Tayayá”, referência ao Arleen, deveria passar para “um amigo que vai comprar”.
Na sequência, perguntou se poderia pedir que essa pessoa entrasse em contato e informou apenas o primeiro nome: “Alberto”. Segundo a PF, tratava-se de Alberto Leite.
O empresário aparece em outros episódios citados no relatório. Em um plano de negócios encontrado no celular de Vorcaro, datado de abril de 2024, Leite, Fábio Faria e o próprio banqueiro aparecem como diretores da Skylink, empresa criada para representar a Starlink, de Elon Musk, no Brasil.
A FS Security, empresa de Leite, também aparece entre as patrocinadoras de um fórum jurídico bancado pelo Banco Master em Londres. Segundo o relatório, Vorcaro posteriormente determinou a retirada da empresa da lista de patrocinadores.



