
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deu pelo menos seis declarações desde novembro de 2022, quando já havia sido eleito, desdenhando do aumento da dívida pública. Em abril de 2023, por exemplo, disse que “não tem problema endividar o país se for para ele crescer”.
Pouco mais de um ano depois, em junho de 2024, Lula chamou a dívida do país de “troco de tão pequena que é se comparada às de outros países”. No mês passado, ele voltou ao tema. Declarou que o “mundo não vai cair” com um deficit primário de 0,20% do PIB. Déficit primário é um conceito brasileiro para calcular o rombo das contas públicas, que exclui várias despesas feitas pela administração federal.
Lula assumiu o Palácio do Planalto em janeiro de 2023. Pegou o país com uma dívida equivalente a 71,7% do PIB. O país estava recuperando as contas públicas depois das grandes despesas da pandemia de coronavírus, em 2020 e 2021. Mesmo assim, a dívida só cresceu sob a administração do petista.
Em maio de 2026, último dado disponível divulgado pelo Banco Central, o rombo chegou a 81,1% – sem que o Brasil tivesse enfrentado uma pandemia nem eventos extremos internos ou externos. A alta da dívida em relação ao PIB foi de 9,4 pontos percentuais sob Lula.
Leia a íntegra do relatório do BC.
As declarações do presidente da República sobre dívida não levam em conta que o Brasil é o país que mais gasta para rolar seus débitos: 8,8% do PIB é consumido dessa forma, segundo o Financial Stability Board (FSB). Trata-se do maior percentual do G20.



