
VEJA
Desde a redemocratização, Lula participou de seis das nove eleições presidenciais diretas realizadas. Ganhou três (2002, 2006 e 2022) e perdeu três (1989, 1994 e 1998). Em 2010, ele não disputou porque a Constituição não permite três mandatos consecutivos no Poder Executivo. Em 2014, ficou fora porque sua pupila Dilma Rousseff não aceitou abrir mão da reeleição e ceder a vaga ao padrinho político. Em 2018, estava preso.
Diante da dificuldade do governo de recuperar popularidade e do crescimento do principal nome da oposição nas pesquisas, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), voltaram a circular especulações sobre a possibilidade de Lula desistir da candidatura este ano, por medo de ser derrotado e encerrar sua carreira eleitoral com um fracasso nas urnas. Petistas juram de pés juntos que essa possibilidade não existe. A palavra final, no entanto, é do chefe.
Numa entrevista recente, Lula disse que ainda não decidiu se será candidato, mas ressaltou que provavelmente concorrerá. Na imensa maioria das outras manifestações, ele afirmou que será “tetra” e exercerá um quarto mandato. A seis meses da eleição, tudo pode acontecer, até “nada”, como ensina a sabedoria popular.
E se…
Nos últimos meses, Lula tratou de negociar suas alianças eleitorais e formar palanques nos estados, mas não descuidou de deixar curingas de prontidão para o caso de reviravoltas. O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, por exemplo, saiu do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços no prazo estipulado por lei a fim de ficar habilitado a disputar as próximas eleições.
O presidente anunciou que Alckmin será de novo o vice da chapa, mas, caso Lula desista, ele pode concorrer ao governo de São Paulo, estado que comandou por quatro mandatos. Substituiria Haddad, que, considerado o sucessor natural dentro do PT, trocaria a corrida ao Palácio dos Bandeirantes por uma candidatura presidencial. No campo das especulações, essa é uma possibilidade.
Outra é Lula, caso abra mão de concorrer, escolher como substituto o ex-ministro da Educação, Camilo Santana, que também deixou o cargo a fim de ficar livre para participar das eleições. Estrela ascendente no PT, Santana, por enquanto, não disputará as eleições.
Ele é cotado como “plano B” para concorrer ao governo do Ceará caso o atual governador, Elmano de Freitas, seu colega de partido, corra risco de ser derrotado por Ciro Gomes (PSDB), antigo aliado que se tornou desafeto de Lula. Santana também é visto como uma alternativa de presidenciável se o chefe desistir.
Equação complicada
A eventual desistência de Lula reorganizaria todo o xadrez eleitoral. Petistas dizem que se o presidente, grande cabo eleitoral que é, não concorrer, o partido certamente elegerá menos parlamentares e diminuirá de tamanho. Mesmo aliados de outras legendas admitem que dependem da associação de suas imagens com a de Lula para renovar os mandatos.
Alianças costuradas nos estados também têm Lula como fiador e podem ser desfeitas na eventualidade de ele abandonar a corrida eleitoral. Perguntado sobre o assunto, o condestável José Dirceu enfatizou que a chance de o presidente não disputar a reeleição é “zero”. Os boatos sobre o tema não acabarão tão cedo.





