
Blog do Silvinho
Em sua caminhada pelo Senado, Marília deve encontrar-se com a revolta de muitos ex-aliados. Gente que a acompanhava desde o ano de 2017, incentivando e promovendo seu nome para disputar o Governo naquele ano, outros que estiveram juntos com ela na disputa pela Prefeitura do Recife de 2020 e também ao Governo em 2022 e que hoje simplesmente não querem mais saber dela de jeito nenhum.
Muitos inclusive se filiaram ao seu ex-partido, o Solidariedade, na esperança de contar com a legenda para disputarem prefeituras locais e tiveram seus sonhos frustrados pela condução de Marília. Outros que até disputaram, mas que não receberam nenhum apoio da ex-deputada e que hoje simplesmente não querem nem saber de sua postulação. É muita gente que esteve e que já foi Marília e que hoje não é mais.
Essas pessoas estão espalhadas em ambos os grupos: tanto de Raquel Lyra que já é adversária, quanto de João Campos que é seu aliado. Tanto que Marília já ligou, já tentou conversar mas agora não obteve tanto sucesso assim. Apoiar João Campos para governador não está significando automaticamente o apoio a Marília para o Senado. Quem está fechado com os dois ainda não conhece essa face de quem sequer atende a um telefonema depois da eleição. Algo que muitos desses ex-aliados reclamam com força.
Um desses muitos exemplos é Luciano Duque que liderava pesquisas para a Prefeitura de Serra Talhada e Marília não lhe deu legenda pelo Solidariedade, inviabilizando sua candidatura na cidade. Marília sabia que por outro partido Luciano não conseguiria ir porque era proibido mudar de legenda, então como diz o ditado popular “quebrou-lhe as pernas”. Luciano Duque para quem não lembra era prefeito do PT em 2017 e defendeu com unhas e dentes o projeto de Marília ao Governo causando constrangimento e reação dentro do PT, na época.
“Quem conhece Marília uma vez, não vota mais” disse um desses aliados que votam em João, mas não quer nem ouvir falar de Marília. Vai de Humberto Costa e Jô Cavalcanti para o Senado, mas a ex-deputada não contará com esse gostinho de seu voto.
Uma das coisas que Marília vai ter que responder sobre sua defesa ao presidente Lula e a possível confiança recíproca é por qual motivo ela não participou da gestão do petista neste mandato. Na primeira gestão foram convidados diversos pernambucanos: Paulo Câmara, Danilo Cabral, Silvio Costa Filho, André de Paula, Luciana Santos, Wolney Queiroz entre outros e Marília não teve seu nome cotado.
E olhe que Marília foi a candidata do presidente Lula no segundo turno e teve o presidente pedindo votos para que ela fosse a governadora. Mas, tão logo assumiu a gestão “não lembrou” de Marília.
O fato do PT não ter ainda encerrado o debate estadual sobre às eleições estaduais e sobre a indicação de Humberto Costa para disputar o Senado, não significa que a legenda vai seguir um rumo diferente da executiva nacional, mas que os trâmites partidários precisam serem seguidos. É necessário ouvir todo o partido antes da decisão.
A precipitação de João Campos em anunciar sua chapa na semana passada, não agradou os petistas que esperavam pelo anúncio da chapa completa apenas com o encerramento do debate interno. Mas como bem disse Carlos Veras, o PT precisa respeitar o tempo de João que precisava iniciar de fato sua pré-campanha.





