Equipe econômica escancara comprometimento com a farra fiscal de Lula em busca de reeleição

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Por Rogério Werneck/Estadão

“Esses são os meus princípios. Se vocês não gostarem…, tenho outros”. Não há quem não conheça essa memorável tirada sarcástica do comediante norte-americano Groucho Marx. Foi o que me veio à mente ao saber que, alarmado com as pesquisas eleitorais, o presidente Lula decidira dar o dito por não dito e revogar a controvertida “taxa das blusinhas”, que ele mesmo impusera há dois anos.

Trata-se de um fato que, à primeira vista, pode parecer irrelevante. Mas a verdade é que merece cuidadosa atenção, por realçar de forma tão nítida a extensão da desfaçatez do desesperado e avassalador vale-tudo populista com que o presidente pretende assegurar sua reeleição.

A má impressão deixada pela revogação da taxação foi ainda exacerbada, em grande medida, pelo contorcionismo subserviente com que os ministérios da Fazenda e do Planejamento tentaram racionalizar o irracionalizável, alegando que o governo esteve sempre certo, tanto quando impôs a taxa como quando a revogou.

Não foi um episódio isolado. Muito pelo contrário. Foi só mais uma evidência de um problema mais amplo e bem mais grave: o escancarado comprometimento da atual equipe econômica com a viabilização da farra fiscal desencadeada pelo presidente Lula para conseguir ser reeleito. Como vem sendo denunciado por Marcos Mendes, “Os ministérios da Fazenda e do Planejamento foram transformados em comitê financeiro de campanha eleitoral”.

Recorrendo ao vasto know-how de contabilidade criativa dos governos petistas, a equipe econômica vem evitando dispêndios que possam ser detectados como expansão de gasto primário. Para dissimular a farra fiscal em curso, o nome do jogo passou a ser conduzir farta distribuição de benesses por meio da concessão de crédito subsidiado por bancos públicos.

Certo de que, em seu vale-tudo, não haverá TSE ou TCU que o segure, Lula acaba de se permitir lançar, a pouco mais de quatro meses das eleições, um programa de financiamento a taxistas e motoristas de aplicativos de não menos do que R$ 30 bilhões, bancado à Rousseff, por transferências do Tesouro ao BNDES.

Merece reconhecimento a admirável iniciativa de Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central (BC), de prestar a Chico Lopes um desagravo público, em nome da instituição, ao final do seu discurso de abertura da Conferência Anual do BC. Foi muito bom que a iniciativa desse desagravo, tão tardio, tenha sido afinal tomada por um presidente do BC nomeado por um governo do PT.