Evento milionário do governo com pequenos agricultores vira palanque eleitoral para Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva

Radar/VEJA

O Radar mostrou recentemente que o governo Lula fechou um contrato de 14 milhões de reais com uma empresa de eventos para realizar um encontro de agricultores familiares em Brasília.

Organizada pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, comandado pelo ministro Paulo Teixeira, a 3ª Conferência Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário, ocorrida na terça-feira (24), serviu de palanque para um forte discurso eleitoral de Lula e para a despedida oficial do ministro, que deixará o cargo para disputar as próximas eleições.

Ao discursar para cerca de 2.000 produtores rurais, Lula resgatou a velha fórmula do “nós contra eles”, assumindo o papel de pai dos pobres a alertar para o risco da volta dos que destruíram o país, segundo ele.

“Tudo que é preciso destruir, é com muita rapidez. Vocês têm experiencia de sete anos, desde o impeachment da Dilma. Vocês sabem o que a sociedade brasileira perdeu. A gente sabe que eles querem voltar. O que não falta para eles é vontade. O que não falta para eles é mau-caratismo de mentir o dia inteiro na televisão, na internet. E vocês têm que tomar muito cuidado para não repassar as mentiras deles para as pessoas”, disse Lula.

“A gente não pode se iludir. O jogo não é fácil. Ninguém pode viver de ilusão. Tem muita gente que não gosta da gente. Tem muita gente que não gosta de Lula. Porque são 400 bilhões de reais colocados em políticas de inclusão social. Eles gostariam que esse dinheiro estivesse na especulação. Eles não gostam que a gente cuide de pobre”, disse Lula.

Na sequência, o petista advertiu os produtores sobre a escolha do voto, dizendo que é “importante a gente ter em conta que a gente só colhe aquilo que a gente planta”.

“Eu só estou aqui por causa de vocês. Eu tenho clareza de quem eu sou, de onde eu vim, para onde eu vou quando sair daqui, quem está do meu lado, quem é contra, quem é amigo e quem é inimigo… Esse ano é ano de eleição. ninguém é candidato porque não teve convenção partidária, mas é importante a gente ter em conta que a gente só colhe aquilo que a gente planta”, alertou Lula.

Segundo o petista, é preciso ter “muito cuidado” para não colocar “raposas no galinheiro” do Planalto porque “não foi fácil reconstruir o que foi desmontado”.

“O que é importante é que a gente tenha em conta que a conquista da vida da sociedade de qualquer país do mundo é um processo que tem muito a ver com a política. Na medida em que avança a política, avança a conquista. Na medida em que retrocede a política, retrocedem as conquistas. Eu sempre brinco: a gente não pode querer engordar as galinhas colocando raposa no galinheiro. É preciso que a gente tome muito cuidado, porque não foi fácil reconstruir o que foi desmontado em sete anos”, disse Lula.

O petista também alertou para o risco que as democracias correm em vários lugares do mundo, destacou o crescimento da extrema direita e a necessidade defender as riquezas do Brasil em meio a um cenário de conflitos armados.

“O mundo tá meio conturbado. Vocês acompanham pela internet que a democracia está correndo risco em vários lugares do mundo. A chamada extrema direita tem crescido em vários lugares… E o que é mais grave: os conflitos armados. Hoje, nós tempos a maior quantidade de conflitos armados desde a segunda guerra mundial. E nós temos que ter preocupação muito séria com este país. O Brasil é um país muito grande, poderoso, com muitas reservas minerais. Agora inventaram uma coisa de terras raras e minerais críticos, que é muito importante para nós”, disse Lula.

Se isso não for campanha antecipada, ninguém sabe mais o que é.