
Estadão
Quarenta e oito horas após vestir a toga de desembargador pela primeira vez no Tribunal de Justiça do Maranhão, Luiz França Belchior Silva viu seu filho, homônimo, receber R$ 69 mil de um empresário suspeito de comprar decisões judiciais na Corte e de manter vínculos com magistrados afastados anteriormente por venda de sentenças. A informação, colhida pela Polícia Federal no curso da Operação Inauditus, levou ao afastamento do desembargador, que permanecerá 180 dias longe de suas funções no Maranhão por ordem do ministro do Superior Tribunal de Justiça, Francisco Falcão.
O Estadão pediu manifestação do desembargador no dia 1º de abril, data em que a Polícia Federal cumpriu busca e apreensão no gabinete de Belchior. O espaço para defesa segue aberto.
A Polícia Federal trata a transferência de R$ 69 mil ao filho de Belchior, ocorrida em abril de 2024, como elemento central que descortinou a suposta venda de sentenças pelo desembargador. O valor saiu da conta da empresa Lucena Infraestrutura, cujo sócio é o empresário Antônio Edinaldo da Luz Lucena, que foi alvo de busca e apreensão no estouro da Operação Inauditus.
O Estadão busca contato com a defesa de Lucena e da empresa que efetuou o pagamento ao filho do desembargador. O espaço está aberto.
Na percepção dos investigadores, “sendo coincidência ou não, o que se verifica é que, após o pagamento, foram prolatadas três decisões favoravelmente a Manoel Ribeiro”, ex-deputado estadual do Maranhão por seis mandatos consecutivos e presidente da Assembleia Legislativa entre 1993 e 2003.



