Fundão ‘cooptado’, candidatura identitária, alianças: Lula enfileira críticas ao PT e à militância na filiação de Marta

Diante dos ministros Alexandre Padilha e Fernando Haddad, Lula discursa no evento de filiação de Marta Suplicy ao PT

Com a presença da presidente do PT, a deputada federal Gleisi Hoffmann (PR), no palco do evento de filiação de Marta Suplicy, realizado em São Paulo na noite desta sexta-feira, Luiz Inácio Lula da Silva fez uma série de críticas ao comportamento do partido e da militância à esquerda em diferentes frentes. Numa das mais contundentes, disse que os deputados petistas “cooptaram” o fundo eleitoral.

Por decisão da sigla, os parlamentares têm direito a uma fatia maior do fundo do que os seus correligionários nas campanhas eleitorais. O critério é comumente adotado por outras legendas.

— Direção do partido, candidatos e autoridades: pensem em como a gente vai dar a volta por cima para voltar a ter mais deputados, senadores e vereadores. Na última eleição, aqui em São Paulo, tinham meninas candidatas a vereadora que não tinham um desgraçado de um panfleto porque o fundo eleitoral foi cooptado pelos deputados que têm mandato. E o povo tem pouca participação nesse dinheiro, afirmou Lula, acrescentando que, quem tiver raiva dele por conta da declaração, “pode falar”.

O presidente da República também disse ser contra a observância de gênero e cor como critério principal para o lançamento de candidaturas. Na avaliação dele, devem entrar na política aqueles que apresentem “qualidades” para disputar a corrida às urnas.

— Precisa escolher como candidato a vereador do PT as pessoas que são lideranças reais no movimento social, e não aqueles que querem apenas ser candidatos. “Eu quero me lançar, eu vou me lançar”. “Eu quero me lançar porque eu sou branco. Eu quero me lançar porque eu sou mulher. Eu quero me lançar porque eu sou negro. Eu quero me lançar porque eu sou indígena”. Está errado. As pessoas têm que se lançar pelas qualidades delas e disputar as eleições. Se a gente não fizer isso, a gente não vai crescer, alertou Lula, antes de avançar na crítica pontuando que o PT não pode ser “massa de manobra” de candidato: — O partido tem que ter coragem. Não é o deputado federal que indica o candidato a vereador porque quer fazer dobradinha com ele depois. Não é o deputado estadual que indica. É o partido.