Furtos fazem Compesa perder água suficiente para 80 mil caminhões-pipa por mês

A água recuperada pela Compesa em operações contra furtos realizadas em Pernambuco durante 2025 seria suficiente para encher 80 mil caminhões-pipa de 10 mil litros por mês, volume equivalente a 350 litros por segundo. O cálculo, apresentado pelo presidente da companhia, Douglas Nóbrega, mostra o tamanho do problema que afeta diretamente o abastecimento no estado.

A água desviada antes de chegar ao consumidor é retirada de um sistema que já passou por captação e tratamento e deveria ser destinada à população. Segundo o gestor, o volume recuperado seria suficiente para abastecer uma cidade como Camaragibe por mês.

Ao longo de 2025, a Compesa realizou 40 operações de combate ao furto de água e as ações resultaram na recuperação da vazão de 350 litros por segundo, além do desmonte de 1.700 ligações clandestinas e 15 prisões, de acordo com os dados apresentados pelo presidente.

Em áreas onde há desvio de grandes volumes, a consequência pode aparecer na ponta do sistema, com redução da vazão disponível para as comunidades abastecidas pelas adutoras.

“Quando uma pessoa está furtando água, ela não está furtando água da Compesa. Está furtando água da população. É uma água que já foi tratada e enviada para a população. Se não chega até lá, o prejuízo é grande para a Compesa, que tem o prejuízo financeiro, mas o maior prejuízo realmente é da população”, afirma o presidente da Compesa.

No interior, segundo a Compesa, os desvios podem ocorrer diretamente nas grandes adutoras, algumas delas localizadas em áreas rurais e extensas, o que dificulta a fiscalização.

“No interior, geralmente, há pessoas que fazem furto na distribuição, o famoso ‘jacaré’ que são colocados nas casas. Isso também existe aqui, mas no interior é mais comum o furto, muitas vezes, para atividades agrícolas ou agropecuárias do que nas cidades. Geralmente, esses furtos acontecem nas grandes adutoras”.

Um exemplo recente ocorreu na Adutora do Pajeú. Em janeiro de 2026, uma operação realizada em um trecho de 40 quilômetros, em Serra Talhada, retirou ligações irregulares e recuperou aproximadamente 35 litros por segundo.

Antes da ação, a vazão disponível era de 135 L/s; depois, passou para 166 L/s. Segundo a Compesa, o volume recuperado equivale a mais de 3 mil caixas d’água de mil litros por dia e beneficiou moradores de Serra Talhada, Calumbí, Triunfo e do distrito de Canaã.

Outro caso recente foi registrado na Adutora de Tabocas, no Agreste. Em março de 2026, levantamento técnico apontou que, de uma vazão de aproximadamente 185 L/s na saída do sistema, apenas 80 L/s chegavam ao destino. A diferença preliminar de 105 L/s, equivalente a 57% do volume produzido naquele trecho, foi atribuída pela companhia a perdas que ainda seriam investigadas e consolidadas nas etapas seguintes da operação.

Os resultados das operações contra furtos são mais recentes que o principal indicador oficial disponível sobre perdas de água. O Sinisa 2025, divulgado pelo Ministério das Cidades, apresenta os dados referentes a 2024. Naquele ano, Pernambuco registrou 43,4% de perdas na distribuição, acima da média nacional, de 39,5%.

O percentual não significa que 43,4% de toda a água tratada em Pernambuco simplesmente desapareça. O indicador reúne perdas reais, como vazamentos e problemas físicos da rede, e perdas aparentes, relacionadas a situações como fraudes, ligações clandestinas e falhas de medição.

Assim, os números do Sinisa ajudam a dimensionar o problema estrutural, enquanto os resultados apresentados pela Compesa mostram uma parcela específica das perdas que está sendo combatida atualmente: os desvios e furtos de água.