
Radar/VEJA
O grupo de WhatsApp criado por dirigentes do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) para mobilizar servidores em favor da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi encerrado.
Como funcionava o grupo “INSS com Lula”?
Um grupo de WhatsApp batizado de “INSS com Lula”, criado pela chefe de gabinete da presidência do instituto, Ana Márcia Fassbender, e era administrado por ela e pelo diretor de Benefícios e Relacionamento com o Cidadão, Leonardo Bittencourt.
O espaço era utilizado para organizar ações de apoio à campanha do presidente, incluindo a convocação de um encontro realizado em Brasília e a divulgação de camisetas com a inscrição “Previdência com Lula”, produzidas por meio de uma arrecadação entre os participantes.
Servidores relataram constrangimento ao serem convidados para integrar o grupo, já que os convites partiam de superiores hierárquicos. Segundo esses relatos, mesmo funcionários sem afinidade política com o governo aceitaram participar por receio de possíveis retaliações.
Por que o grupo foi encerrado?
Após a publicação, Bittencourt comunicou aos integrantes o encerramento do grupo. Na mensagem, o diretor afirmou que o espaço havia sido criado com números particulares e fora do horário de expediente, sustentando que não existia relação institucional entre a iniciativa e o INSS. Também negou que houvesse qualquer intenção de pressionar servidores a participar das atividades.
Antes da publicação, o INSS informou que não comentaria atitudes individuais de servidores quando desvinculadas da estrutura oficial do órgão, acrescentando que eventual denúncia formal seria apurada.
Por que a iniciativa gerou críticas?
Ao comentar o caso, José Benedito da Silva afirmou que a criação do grupo representou uma iniciativa sem utilidade prática para a campanha presidencial e potencialmente prejudicial para a imagem do próprio governo. “Faltou alguém dizer: ‘Que ideia ruim é essa?’”, afirmou.
Segundo o editor, associar diretamente o nome do presidente ao INSS tende a produzir um efeito contrário ao desejado, sobretudo porque o instituto enfrenta desafios administrativos que impactam diretamente a percepção da população. Na avaliação dele, a principal contribuição que o órgão poderia oferecer ao governo seria melhorar a prestação de serviços.
“O INSS poderia ajudar o Lula resolvendo alguns problemas e acabando com a fila de gente que espera pela sua aposentadoria”, disse. Também citou a necessidade de impedir novas fraudes contra aposentados e pensionistas como forma de fortalecer a credibilidade da instituição.
Qual pode ser o impacto político do episódio?
José Benedito afirmou que o episódio pode acabar sendo explorado politicamente pela oposição justamente por transmitir a impressão de alinhamento eleitoral dentro de um órgão que recentemente esteve no centro de investigações sobre fraudes. Na avaliação do editor, a existência de um grupo organizado para apoiar a permanência de Lula no poder dentro do INSS pode reforçar uma narrativa negativa sobre a atuação da autarquia. “Isso aí passa uma mensagem negativa e pode ser explorado”, afirmou.



