Hugo Motta define presidente e relator do fim da escala 6×1

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O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou nesta terça-feira (28) o deputado Leo Prates (Republicanos-BA) como relator da comissão especial da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala 6×1. O presidente do colegiado será Alencar Santana (PT-SP).

Os nomes do relator e do presidente foram mantidos em segredo até o último momento para evitar pressão da base do governo e da oposição sobre os escolhidos.

A comissão será instalada na tarde desta quarta-feira (29). Em coletiva de imprensa nesta terça-feira, o presidente destacou que a condução do processo deve ser equilibrada e defendeu a proposta como uma forma de buscar justiça para a classe trabalhadora brasileira.

“Nós vamos aumentar a produtividade, porque o trabalhador estará muito mais disposto quando estiver em ambiente de trabalho”, afirmou. O anúncio dos nomes foi feito por Motta ao lado dos escolhidos e do líder do PT, Pedro Uczai (RS) e do líder do PDT, Mário Heringer (MG). Não estavam presentes representantes da oposição.

A comissão especial pode durar até 40 sessões do plenário para analisar a PEC. A expectativa, porém, é que a Câmara vote o fim da escala 6×1 ainda até o final do mês de maio, de acordo com o presidente da Casa. Motta afirmou ser favorável à proposta, mas defendeu mais tempo para construção do texto.

“Vamos ter esse tempo. Parece longo, mas ao mesmo tempo é curto. Vamos ter que fazer mais de uma reunião, duas ou três por semana, para que a gente possa ouvir ambos os setores, fazer o debate nesta Casa diversa, para no final do mês de maio entregar o relatório e aprová-lo na comissão e no plenário”, disse Alencar Santana.

Devido à popularidade do fim da escala 6×1, governo e oposição se manifestaram favoravelmente à PEC. Há divergências, porém, sobre a implementação da medida. O governo quer uma aprovação célere e enviou há duas semanas um projeto de lei com urgência constitucional sobre o tema. O texto prevê que o trabalho semanal não ultrapasse 40 horas (hoje, são 44 horas) e jornada diária seja limitada a oito.

Esse tipo de proposta precisa ser votada na Câmara em até 45 dias. Após esse prazo, ele trava a pauta e nada mais pode ser votado no plenário. Apesar disso, Motta preteriu o texto do governo ao manter o foco da tramitação via PEC e afirmou que o fim da 6×1 precisa de mais debate antes de ser pautado.

Na última quarta-feira (22), a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) aprovou a admissibilidade das suas propostas de redução da escala 6×1. Uma é de autoria do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) e propõe reduzir a jornada semanal ao longo de 10 anos das atuais 44 para 36 horas. A outra, de Erika Hilton (PSol-SP), prevê uma escala de quatro dias de trabalho por semana, com limite de 36 horas.

Em peças publicitárias, o governo tem defendido a medida e a comparado com outros momentos em que alterações legais garantiram direitos apesar da resistência de parcelas da elite, como a criação do salário mínimo.

Já a direita resiste à mudança, alegando que pode causar prejuízo a empreendedores e encarecer o valor final dos produtos, mas entende que não há margem para voto contrário às vésperas da eleição. Dessa forma, a oposição tenta alterar a proposta, escalonar a redução da carga horária e ter uma maior transição para o fim da escala 6×1.