Imóvel de R$ 1,4 milhão de João Campos e pertencia a Felipe Carreras, foi vendido a Renata Campos por 5% do valor de mercado, diz blog

Blog Manoel Medeiros

O imóvel pertencente a uma empresa do ex-prefeito do Recife, João Campos, que não consta na sua declaração de bens de pessoa física e tem valor de R$ 1,4 milhão, é fruto de uma transação de venda questionável que envolve o deputado federal, Felipe Carreras (PSB), e a ex-primeira-dama do Estado e mãe de João, Renata Campos. Isso porque o terreno, localizado em Apipucos, foi vendido pelo parlamentar em 2021 por um valor que representa apenas 5% do seu valor de mercado, segundo avaliação oficial. Enquanto o preço de avaliação era de R$ 2,5 milhões, Renata Campos pagou R$ 125 mil.

Três anos após a compra, metade do imóvel foi doada à empresa Casa Participações, pertencente a João Campos. Ele abriu a empresa em março de 2024 e recebeu a doação em julho do mesmo ano, por meio de um ato registrado no cartório da pequena cidade de Lagoa de Itaenga, Zona da Mata Norte do Recife, a 64 quilômetros da capital.

Na prática, uma das hipóteses – que só pode ser confirmada ou descartada pelos órgãos competentes, não cabendo a esta matéria fazer o juízo de valor – é que o imóvel estivesse em nome de Carreras, mas pertencesse na prática, de forma oculta, ao ex-governador Eduardo Campos. Carreras já foi casado com uma sobrinha de Renata Campos.

Originalmente com três mil metros quadrados, o terreno situado na Rua Dois Irmãos, próximo ao viaduto da BR-101, pertencia à Dalla Nora Engenharia Ltda. Segundo o Blog Manoel Medeiros, diz ter obtidos os documentos com exclusividade. E(João)    m agosto de 2021 foi registrado no 3º Cartório de Registros do Recife uma venda realizada 17 anos atrás para Felipe Carreras por R$ 125 mil (avaliação do imóvel na época era R$ 343 mil). Após esse registro cartorial, Carreras vendeu o imóvel em outubro de 2021 para Renata Andrade Lima Campos pelos mesmos R$ 125 mil diante de uma avaliação atualizada em R$ 2,5 milhões.

Em comparação com o patrimônio declarado de R$ 242,8 mil na eleição de prefeito, em 2020, o patrimônio de João Campos aumentou 18 vezes, considerando o terreno pertencente à sua empresa. Na eleição em que ganhou o cargo de comandante do Executivo municipal, Campos possuía R$ 40,8 mil em imóveis, um veículo Toyota Etios (R$ 32,8 mil), R$ 15 mil em dinheiro em espécie e R$ 154,2 mil em “outros bens e direitos”.

Esse ano, a lista de bens dele possui R$ 2,8 milhões em aplicações e investimentos, R$ 40,8 mil em “outros bens e direitos” e R$ 100 mil em quotas de empresa, que é a Casa Participações. Na prática, o valor real totaliza R$ 4,3 milhões, pois a empresa possui pelo menos um imóvel, que é o terreno em questão, localizado em Apipucos, Zona Norte do Recife.

A constituição da empresa do tipo holding – como a aberta por Campos – não constitui ocultação de patrimônio em si e é permitida, mas termina abrindo a possibilidade de que dados sobre a constituição patrimonial do político, que deve prestar contas ao público constantemente, tenham o acesso às informações e à transparência dificultados.