
Poder360
A primeira-dama Janja Lula da Silva viajou para Nova York na última quarta-feira (17) para participar da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Ao fim da viagem, a socióloga somará 145 dias fora do Brasil desde 2023, quando chegou ao Palácio do Planalto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). São 33 viagens para 35 países.
Segundo levantamento realizado pelo Poder360, o total de viagens para o exterior de Janja será de 21 dias a mais que Lula no mesmo período. Só em 2025, a socióloga terá passado 42 dias no exterior em 8 viagens internacionais, sendo duas sem o presidente.
A primeira-dama chegou à cidade norte-americana três dias antes do presidente, que desembarca no domingo (21). O petista discursará na abertura da assembleia, marcada para terça-feira (23).
Durante os próximos dias em Nova York, Janja participará de encontros ligados a pautas sociais. Depois, acompanhará a agenda do presidente, que priorizará a política externa do governo. Ambos devem retornar ao Brasil em 25 de setembro.
A primeira-dama Janja Lula da Silva visitou a loja da marca japonesa Uniqlo nesta quinta- feira (18), três dias antes da chegada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à cidade para a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Janja entrou no estabelecimento por volta das 18h20, acompanhada por sua equipe. Durante a visita à loja de roupas casuais, a primeira-dama estava acompanhada por um grupo de aproximadamente 6 pessoas, incluindo 4 seguranças. A comitiva circulou pelas seções de vestuário masculino e feminino do estabelecimento, segundo informações da Folha de S.Paulo.
As viagens de Janja
Apesar de não ter cargo público, Janja tem participado de missões internacionais representando o governo em eventos sociais, culturais e diplomáticos.
Eis as viagens da primeira-dama em 2025:
- Itália (11-13.fev) – participou da 48ª Sessão do Conselho de Governança do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (Fida), vinculado à ONU. Viajou sem Lula, acompanhada do ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias. Custou ao menos R$ 260 mil e causou forte crítica da oposição;
- Japão (18-26.mar) – chegou antes de Lula para visita de Estado em Tóquio. Disse que antecipou a viagem para economizar custos da passagem;
- França (26-30.mar) – foi designada por Lula para representar o Brasil na Cúpula Nutrição para o Crescimento N4G, em Paris. Viajou sozinha com uma comitiva de cinco assessores. O governo pagou ao menos R$ 18.000 em diárias da primeira-dama e sua equipe;
- Vaticano (24-26.abr) – acompanhou Lula no funeral do papa Francisco (1936-2025). Viagem de dois dias considerada protocolar para acompanhar o presidente;
- Rússia e China (3-14.mai) – embarcou quatro dias antes de Lula para Moscou, a convite do governo russo, para celebrações dos 80 anos do Dia da Vitória (fim da 2ª Guerra). De lá, seguiu para a China com a comitiva de mais de 130 pessoas. Durante reunião privada com o presidente chinês, Xi Jinping (Partido Comunista da China, esquerda), defendeu a regulação do TikTok. O episódio teria causado desconforto entre a comitiva brasileira. A socióloga disse ter sido vítima de machismo;
- França (3-9.jun) – acompanhou Lula em visita de Estado e participou da Conferência dos Oceanos da ONU. Ficarão hospedados na residência oficial, evitando custos hoteleiros depois de críticas de viagens anteriores;
- Colômbia (21-22.ago) – participou da cúpula de países amazônicos. Foi a viagem mais curta do ano, com só um dia fora do Brasil;
- EUA (21-24.set) – hospedou-se na residência do embaixador brasileiro Sérgio Danese para evitar custos hoteleiros milionários como em 2023. Participará de eventos sobre temas sociais antes dos compromissos oficiais com o presidente.
As viagens de Janja têm alimentado críticas da oposição. A ida à Itália em fevereiro, por exemplo, resultou em uma representação na Controladoria Geral da União (CGU) pelo deputado federal Kim Kataguiri (União Brasil-SP). O congressista pediu investigação sobre os gastos da viagem a Roma.
Logo depois, a Advocacia Geral da União (AGU) publicou uma instrução normativa desautorizando primeiras-damas a assumirem compromissos oficiais em nome do Brasil. Na prática, pouco muda em relação a Janja. O texto reconhece que sua atuação tem “natureza jurídica própria”.
Janja ganha autonomia
Os dados mostram uma mudança no perfil diplomático de Janja, que passou de viagens mais curtas e protocolares para missões mais longas e autônomas, com média de 5,25 dias por deslocamento em 2025. A tendência mostra maior protagonismo da primeira-dama, sinaliza uma evolução para o papel de representante com autonomia nas relações do governo petista.
O destino mais frequente nos três anos são os Estados Unidos, visitados cinco vezes pela primeira-dama, principalmente para participar de assembleias da ONU e eventos multilaterais. Em 2025, Janja e Lula chegarão ao país em um momento de tensão com o governo do presidente Donald Trump (Partido Republicano), que aplicou tarifas de 50% sobre produtos brasileiros e sancionou autoridades brasileiras.
Em 2023, Janja não teve compromissos próprios fora do país e acompanhou Lula em todas as idas a outros países. Mas esse foi o ano em que mais carimbou o passaporte: 62 dias no exterior em 15 viagens. Reflete a busca do petista para restabelecer relações diplomáticas desde o retorno ao Planalto.
Em 2024, participou de eventos paralelos em Nova York, como o Pacto Global da ONU, um seminário na Universidade Columbia sobre combate à fome, palestra sobre liderança feminina e reunião sobre 1ª infância promovida por Unicef e organizações internacionais.
Lula na ONU
O presidente será o 1º a discursar na Assembleia Geral da ONU, posição tradicionalmente reservada ao Brasil desde 1947.
O petista deve defender as prioridades diplomáticas brasileiras: proteção ambiental, fortalecimento democrático e redução das desigualdades. Contudo, essas bandeiras se chocam com as políticas de Trump.
O contexto é mais delicado porque as relações bilaterais Brasil-Estados Unidos enfrentam a mais grave deterioração em décadas.



