
A derrota de João Campos (PSB) na disputa pelo Governo de Pernambuco ganhou um novo capítulo nesta segunda-feira (05), desta vez dentro da Câmara Municipal do Recife. Um dia após o resultado das urnas, vereadores aproveitaram a plenária para comemorar, provocar e fazer referências diretas ao revés do ex-prefeito da capital na corrida ao Palácio do Campo das Princesas.
Um dos momentos de maior repercussão foi protagonizado por Eduardo Moura (Novo), eleito deputado federal. Durante seu discurso, o vereador tirou os botões da camisa que vestia e revelou uma segunda peça por baixo, estampada com a frase: “A folga acabou”.
A cena foi acompanhada pelos vereadores Thiago Medina (PL) e Gilson Machado Filho (Podemos), também eleitos no pleito para a Câmara dos Deputados e para a Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), respectivamente.
Ao comentar o resultado das urnas, Moura associou a derrota de João Campos a uma mudança na percepção dos eleitores pernambucanos e recifenses.
“O que aconteceu ontem foi resultado da gente abrir os olhos de você recifense. De você, pernambucano. Enquanto você era enganado. E com o ex-prefeito João Campos foram quatro anos você sendo enganado com festa, usando o seu dinheiro. Quando a gente assumiu essa legislatura, eram 78% de aprovação para ele e aqui nesta casa, João Campos já era governador e já fazia planos para substituir Lula“, disse.
Críticas de Osmar Ricardo
Outro vereador que aproveitou a sessão para comentar o resultado eleitoral foi Osmar Ricardo (PT). Em seu discurso, o petista afirmou que a derrota de João Campos representou “a maior glória” de sua vida.
“Durante as eleições recebi muita ameaça da galera do PSB. Se João Campos ganhasse, eu tinha que sair de Pernambuco”, disse. “Eu vou ficar em Pernambuco. Vou ficar porque o povo fala mais alto. E eu sou do PT e me licenciei do PT pra tá com a governadora Raquel Lyra, onde ninguém acreditava ainda”, completou.
A relação entre Osmar Ricardo e João Campos já vinha marcada por atritos antes da eleição. Em março de 2026, o vereador assinou um requerimento para a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara do Recife com o objetivo de investigar possíveis irregularidades em um concurso da Procuradoria-Geral do Município. A apuração envolvia a nomeação de um candidato por João Campos para uma vaga destinada a pessoa com deficiência.
O episódio teve consequências na composição da própria Câmara. Após a movimentação pela CPI, João Campos exonerou o então secretário municipal Marco Aurélio Filho (PV). Com a saída da gestão, Marco Aurélio retornou ao Legislativo, o que fez Osmar Ricardo deixar o mandato e voltar à condição de suplente.



