
Carta Capital
Em pronunciamento feito na noite deste domingo (25), o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, declarou encerrada a apuração do segundo turno e confirmou a reeleição de Lula (PT) para o seu quarto mandato no Palácio do Planalto.
Sobre os momentos de tensão vividos na tarde deste domingo devido a denúncias de queda na circulação de ônibus em vários estados, Nunes Marques criticou decisão do Supremo Tribunal Federal que alterou o horário de votação instantes antes das urnas fecharem.
O presidente do TSE explicou que recebeu um pedido de prorrogação do horário por volta das 15h30, momento em que realizou consultas técnicas ao TRE da Bahia e a prefeituras locais, devido a ausência de jurisprudência sobre o tema. A pedido da campanha de Lula, Cristiano Zanin autorizou a mudança e brasileiros puderam votar até às 19 horas naquelas seções que ainda não haviam sido encerradas.
“Nesse ponto, tenho que registrar que a decisão liminar proferida após o horário de encerramento da votação gerou dificuldades ao processo eleitoral”, comentou Nunes Marques. “Busquei informações técnicas com o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia, as respectivas prefeituras e as equipes técnicas do TSE, apesar de não haver normativo que autorizasse qualquer prorrogação. Nunca, na história do TSE, houve qualquer prorrogação”, completou.
A medida, disse Nunes Marques, exigiu reestruturação das rotinas de apuração, o reforço na segurança de mesários e servidores nas seções e o bloqueio temporário do recebimento dos boletins de urna para preservar o sigilo das informações.
Durante a declaração, Nunes Marques informou ter telefonado pessoalmente para ambos os candidatos que disputaram o pleito. Flávio Bolsonaro (PL) obteve 48,22% dos frente a 51,78% conquistados pelo petista.
No pronunciamento, Nunes Marques destacou que, dos mais de 158 milhões de eleitores aptos a votar, mais de 128 milhões compareceram às urnas. O índice de abstenção fechou em 19,21%, registrando queda em relação aos 21,08% computados no primeiro turno.
O balanço oficial apresentado no discurso apontou que, das 499.248 urnas eletrônicas empregadas no segundo turno, apenas 1.551 precisaram ser substituídas por problemas técnicos, o que corresponde a 0,31% do total. Nunes Marques afirmou ainda que relatórios independentes, incluindo auditoria conduzida pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, atestaram a integridade dos sistemas e a ausência de interferências externas.
Ao abordar os desafios institucionais, o presidente da Corte Eleitoral relatou um patamar elevado de judicialização, com 2.265 processos originários no TSE durante as Eleições de 2026 — incluindo 827 Representações e 446 Direitos de Resposta.



