Lula provoca deputado que elogiou suas ações para evangélicos: ‘Por que votou no Bolsonaro?’

O deputado federal Otoni de Paula (MDB) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)

Estadão

O encontro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com líderes evangélicos na última terça-feira, quando sancionou o projeto de lei que cria o Dia Nacional da Música Gospel, continua repercutindo. Nesta quinta-feira (17), o presidente fez uma provocação ao deputado federal Otoni de Paula (MDB-RJ), que participou da cerimônia de assinatura do projeto no Palácio do Planalto.

“O deputado foi lá e fez uma declaração dizendo que não votou em mim, que muitos evangélicos não votaram em mim, mas que reconhece que tudo para os evangélicos foi feito por mim. Deu vontade de perguntar: se você reconhece isso, por que votou no Bolsonaro?”, disse Lula em entrevista à Rádio Metrópole, de Salvador.

Na mesma entrevista, o petista afirmou que as declarações de Otoni a seu favor fizeram o deputado do Rio de Janeiro ser “triturado” por bolsonaristas.

Durante o encontro com líderes evangélicos, o ex-bolsonarista, que no ano passado se tornou réu no STF por chamar Alexandre de Moraes de “cabeça de ovo”, “lixo”, “esgoto” e “latrina”, chamou Lula de “meu presidente” e afirmou que orava por ele, além de ressaltar os acenos do petista aos evangélicos, como a criação do Dia Nacional da Liberdade Religiosa em seu primeiro mandato.

“Presidente, se aproxime sem reserva. Se aconchegue. Tem lugar na mesa do Pai para termos comunhão. Gostando ou não politicamente de Vossa Excelência, não temos outra opção pela Bíblia a não ser orar por Vossa Excelência”, afirmou Otoni. “Quis o destino que eu, um dos mais combatentes defensores do antigo governo e seu crítico político, estivesse aqui hoje”, acrescentou.

O ex-vice-líder do governo de Jair Bolsonaro (PL) declarou ainda que, embora a maioria dos evangélicos não tenha votado em Lula, eles estão “entre os brasileiros mais beneficiados pelos programas sociais de seu governo”. Ele citou o Bolsa Família e o Minha Casa Minha Vida como exemplos de políticas que ajudam “essa gente humilde e temente a Deus”.

Seis dias antes do evento da última terça, Otoni afirmou que o governo do PT era antissemita por não querer fazer negócios com Israel. A declaração deixou auxiliares de Lula surpresos, já que ele é considerado ponte entre o governo e o mundo evangélico. Nas eleições municipais no Rio, o deputado apoiou a reeleição de Eduardo Paes (PSD) contra Alexandre Ramagem (PL), candidato do bolsonarismo.