
VEJA
A CEO do Instituto de Pesquisa Ideia, Cila Schulmann, afirmou que a eleição presidencial deste ano deve ser influenciada por um conjunto amplo de fatores, como avaliação do governo, cenário econômico e polarização política, mas destacou que três elementos específicos podem definir o resultado final: custo de vida, apostas online e endividamento. A analista também apontou o papel decisivo de um eleitorado não polarizado, preocupado com essas questões e que soma cerca de 5 milhões de pessoas.
Ao analisar o cenário geral, Cila explicou que a disputa entre o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro ocorre em um ambiente já conhecido de polarização, com bases relativamente consolidadas de ambos os lados e forte influência da percepção econômica. Nesse contexto, temas como inflação, renda e poder de compra seguem como pano de fundo da decisão do eleitor.
Apesar desse quadro mais amplo, a diretora destacou que há um eixo mais específico que tende a pesar de forma decisiva. “O custo de vida barra bets barra endividamento, para mim, ele é o mais crucial da campanha”, afirmou, ao indicar que esses fatores traduzem de maneira direta a insatisfação do eleitor com sua realidade financeira.
Segundo ela, o impacto das apostas online se soma ao aumento do endividamento e à perda de poder de compra, criando um ambiente de pressão econômica que influencia o voto. Esses temas, afirmou, já aparecem com força nas pesquisas e devem ganhar centralidade ao longo da campanha.
Cila também chamou atenção para um grupo de eleitores que ainda não se posicionou de forma definitiva e que pode ser determinante no resultado. “São pessoas não polarizadas e eu diria que o X aí dessa campanha tá nesse eleitorado que ainda vai esperar pra ver”, disse. Esse segmento, segundo ela, busca propostas concretas e tende a decidir o voto mais próximo da eleição.
De acordo com a analista, esse eleitorado está concentrado, principalmente, em regiões urbanas do Sudeste. Em uma disputa acirrada, esse contingente pode funcionar como fiel da balança. “Quem conseguir atrair e convencer esse eleitorado, eu diria que tem a maior chance de vitória”, afirmou.
A especialista ressaltou que, diante de um cenário polarizado, o peso desse grupo se torna ainda maior, justamente por não estar alinhado previamente a nenhum dos polos. Isso amplia a importância de temas práticos, ligados ao cotidiano, em detrimento de disputas mais abstratas ou institucionais.



